PCP: “Governo tornou-se num perigo para o regime democrático”

Jerónimo de Sousa diz que a “estreita articulação” entre o Governo e a troika é preocupante
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Jerónimo de Sousa diz que a “estreita articulação” entre o Governo e a troika é preocupante Enric Vives-Rubio

Jerónimo de Sousa foi muito duro nas palavras que utilizou neste sábado à tarde em Beja para descrever a actual situação do país. O secretário-geral do PCP considera “preocupante a estreita articulação” que o Governo vem mantendo com a “troika estrangeira”, que já assume “contornos perigosos e sinistros”.

No debate desta semana sobre o orçamento “ficou muito claro que para Passos e Portas chegou a hora da verdade para dar a estocada final no projecto de democracia constitucionalmente consagrado”, alertou Jerónimo de Sousa, perante cerca de duas centenas de militantes e simpatizantes do seu partido, frisando que esta estratégia integra “uma velha aspiração da direita”.

O Governo “é hoje social e politicamente minoritário”, acentuou o dirigente comunista, alertando para o “perigo” que a actual situação política representa para a sobrevivência” do próprio regime democrático.

E em reforço deste argumento Jerónimo de Sousa fez referência às vozes que falam “abertamente ou se insinuam com soluções de autoritarismo” contra o movimento operário e sindical. “Não podem ser subestimadas”, bem como “as teses vindas de certos círculos e sectores da direita” que “sugerem a impossibilidade de conciliar a democracia com as medidas de austeridade”, ao mesmo tempo que “apelam ao esmagamento” dos interesses populares e a um reforço das medidas de austeridade.

Perante o que considera ser uma estratégia de “enfraquecimento” da democracia portuguesa o secretário-geral do PCP deixou claro que “está na hora de cerrar fileiras” e de denunciar as “tentativas mafiosas” com que os partidos do arco da troika “dominam o país há 36 anos”.

Reagindo às posições expressas por alguns sectores que “falam do fim de um ciclo político”, Jerónimo de Sousa lembra que “pouco ou nada fizeram para isso”, recordando que “ainda há poucos meses” defendiam que o Governo devia permanecer em funções até 2015.

Comentando a “carta dura ou mole” que António José Seguro enviou ao primeiro-ministro, o líder comunista salienta que “não basta dizer que é dura”. “Devia dizer não e estar connosco a combater a política do Governo”, afirmou, convicto de que com a actual política e o Orçamento de Estado para 2013 o país não tardará a chegar à “situação da Grécia”. Para Jerónimo de Sousa, o já anunciado “plano B” só vem revelar que o Governo “já está a acautelar o falhanço das suas opções” políticas.

Referindo-se ao ministro das Finanças “da voz de veludo”, Jerónimo de Sousa garante que a sua maratona “nunca chegará ao fim”, mas que, entretanto, “já conseguiu enganar muita gente” com a propalada tese das inevitabilidades.

Quanto ao futuro, o líder comunista vincou que não será possível um Governo de esquerda sem o PCP. Entretanto, “é tempo de intensificar a luta” e de lançar uma nova palavra de ordem: “A luta aquece, mas o PS não aparece”.