BPI subiu lucro para 117,1 milhões

Ulrich: consultores já “extorquiram” 5,3 milhões ao BPI

Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI
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Fernando Ulrich avança com operação de reforço de fundos próprios do BPI Foto: Nuno Ferreira Santos

Os consultores financeiros, maioritariamente estrangeiros, contratados pelo Ministério das Finanças para o plano de recapitalização e pagos pela banca privada, já “extorquiram” ao BPI 5,3 milhões de euros em apenas 12 meses, segundo afirmou o presidente do banco, Fernando Ulrich.

“Os consultores só nos fazem perder tempo. Ainda por cima, a maior parte são estrangeiros. Não percebo porque é que há este entusiasmo com consultores estrangeiros que não têm trazido qualquer valor acrescentado. São extorsões a instituições privadas”, afirmou o presidente da instituição, Fernando Ulrich, na apresentação dos resultados do terceiro trimestre.

Entre Janeiro e Setembro deste ano, afirmou o gestor, o BPI já desembolsou 2,6 milhões de euros com os consultores contratados pelo Ministério das Finanças e Banco de Portugal, devido, nomeadamente, às inspecções às carteiras de crédito. No último trimestre de 2011 este valor tinha sido de 2,7 milhões de euros, de acordo com o gestor.

Actividade doméstica impulsiona subida dos lucros

O Banco BPI teve um lucro líquido consolidado de 117,1 milhões de euros nos primeiros noves meses do ano, uma subida de 15,3% face a idêntico período de 2011. Actividade doméstica rendeu 55,5 milhões, ou seja, mais 69,1% do que em idêntico período do ano passado. Já a vertente internacional (Banco de Fomento Angola e BCI, de Moçambique) teve um contributo de 61,6 milhões de euros, o que significa, apesar de se manter, em valor, superior à actividade doméstica, uma descida de 10,4% face aos primeiros nove meses de 2011.

Ao nível do rácio de transformação de depósitos em crédito, este estava, a 30 de Setembro, nos 105%, cumprindo assim o rácio indicativo de 120% previsto para a banca portuguesa no final de 2014. Em 2007, este indicador estava nos 136%.

Já o crédito em risco subiu para os 3,9% da carteira de crédito (era de 3% em Setembro de 2011), equivalente a 1023,5 milhões de euros.

Esta tarde, o BPI anunciou que irá pagar mais 100 milhões de euros ao Estado, antecipando o calendário indicativo de reembolsos previstos no plano de recapitalização e entregando assim mais uma tranche dos 1,5 mil milhões de euros que recebeu através de obrigações subordinadas de capital contingente. Até ao momento, o BPI já pagou 200 milhões de euros, depois de ter feito um aumento de capital.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o Fernando Ulrich foi questionado sobre informações recentes relativas ao facto de o Estado ter entregue, por ajuste directo, a consultadoria de processos de privatização a uma empresa norte-americana, a Perella. E, também, sobre os protestos que tiveram origem em responsáveis do Banco Espírito Santo Investimento (BESI).

Sobre este assunto, Ulrich afirmou que “quem protestou por esse facto [o BESI] ganhou, logo a seguir, os mandatos de assessoria financeira do Estado nos processos da TAP e da ANA. O BPI não entrou na primeira discussão nem no segundo ajuste directo”, afirmou.

O CEO do banco português acrescentou que, mesmo assim, “o BPI não vai protestar, apesar de continuar a pensar que tinha todas as condições para realizar os trabalhos.”

Notícia actualizada às 19h15

com informações sobre os processos de privatizações