Uma centena de espécies de aves atraíram observadores a Sagres

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O festival contabilizou o avistamento de 102 espécies de aves, por 850 pessoas PÚBLICO/arquivo

A terceira edição do maior evento nacional dedicado à observação de aves, que decorreu entre 30 de Setembro e 7 de Outubro, contabilizou o avistamento de 102 espécies de aves, por cerca de 850 pessoas. A iniciativa decorreu em Sagres e estendeu-se pela primeira vez a todo o município de Vila do Bispo.

Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza existem mais de nove mil espécies de aves, sendo que o Algarve é a região continental do país onde se regista anualmente a maior ocorrência de aves oriundas de África, Norte da América e Norte da Europa. "A Península de Sagres é uma das zonas mais importantes da Europa para observar o processo migratório de aves planadoras, entre Agosto e Novembro", explica Anabela Santos, coordenadora do Projecto Via Algarviana, que organiza o Festival de Birdwatching.

A observação de aves (birdwatching) é uma actividade em crescimento um pouco por todo o mundo, em particular na Europa. Esta é "uma forma importante de proteger as aves e a natureza, conhecendo, respeitando, agindo e mostrando que são verdadeiros valores a proteger e a conservar", afirma Luís Costa, director da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

Para observar as aves são organizadas saídas de campo que têm Vale Santo e Monte da Cabranosa como principais zonas a integrar o roteiro. "Em cada sítio vêm-se espécies diferentes e por isso não é possível apontar o sítio onde se observam mais aves. Cada território corresponde a um determinado habitat e por isso há espécies diferentes", diz Anabela Santos.

Cada saída de campo foi organizada em grupos de 15 pessoas, orientadas por especialistas (ornitólogos voluntários ou convidados) que cumpriram o papel de guia das observações.

Sagres é, neste período migratório, o principal corredor do país para águias, cegonhas, águias, abutres, gaviões e falcões. Entre as espécies observadas destacam-se o grifo-de-rüppell, o falcão-da-rainha (também conhecida como falcão-de-eleonor) e a petinha-de-richard, espécies muito raras, de difícil observação em Portugal. Pelos olhos dos participantes passaram também abutres-fouveiros, cegonhas-pretas ou águias-cobreira. Um dos momentos descritos como mais emocionante para alguns dos participantes foi a libertação de uma águia-calçada recuperada no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens.

O festival conquistou participantes de nove países estrangeiros, nomeadamente Suécia, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Brasil, Espanha, França, Bélgica, Dinamarca. Apesar da elevada adesão, Anabela Santos sublinha que este interesse se estendeu também a todo o território nacional e que tiveram "muitos portugueses dos vários pontos do país".

Nesta edição, que se estendeu também a aves marinhas, foram organizadas 111 actividades, que contemplaram, por exemplo, workshops de iniciação à observação de aves. "Conseguimos chegar a um público generalista, com pessoas que gostam de observar aves, mas que não são experientes, que fazem apenas identificações básicas". Esta generalização ganha dimensão numa altura em que o turismo se preocupa cada vez mais em oferecer alternativas de escape às comunidades urbanas, através de um contacto e observação da natureza.