Bruxelas está “preparada para actuar” se Espanha pedir resgate financeiro

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Olli Rehn esta segunda-feira com Mariano Rajoy, no Palácio da Moncloa, em Madrid Foto: Dominique Faget/AFP

Olli Rehn aumentou a pressão sobre Espanha em Madrid, onde esta segunda-feira esteve reunido com o Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e o ministro da Economia, Luis de Guindos. “A Comissão Europeia estará sempre ao lado de qualquer país que solicite apoio”, referiu. Mas frisou que o executivo espanhol não fez qualquer pedido de intervenção externa.

Apesar de acreditar que o objectivo do défice “está ao alcance de Espanha”, considerou que “se deveriam estar a tomar também outras medidas que não estão a ser tomadas”.

Para o comissário europeu, numa altura em que o país se tornou nas últimas semanas um novo foco de instabilidade na zona euro, Madrid deve concentrar os seus esforços “de forma decidida para completar o programa de reformas estruturais” anunciadas na semana passada.

Olli Rehn referiu uma reforma concreta: a do sistema de pensões. “Para restabelecer a viabilidade das finanças públicas, é necessário assegurar a viabilidade do sistema de reformas”, reforçou, apelando a um aumento da idade da reforma segundo a esperança média de vida.

“Estamos conscientes do [momento] difícil que está a ser para as famílias espanholas e para os cidadãos espanhóis. Podem estar seguros de que ninguém na União Europeia está a olhar para o outro lado”, afirmou ainda, citado pela agência Lusa.

Espanha está sob pressão dos mercados e de uma parte dos seus parceiros europeus para formalizar um pedido de assistência financeira pleno, depois de uma primeira ajuda dirigida ao sector financeiro.

Os encontros de Olli Rehn com responsáveis políticos espanhóis acontecem dias depois da apresentação, pelo Governo de Rajoy, da proposta de Orçamento do Estado para 2013 e de um novo plano de reformas estruturais. O documento prevê cortes acentuados na despesa e um aumento da carga fiscal, medidas com as quais o executivo procura cumprir as metas orçamentais acordadas com os parceiros da zona euro.

Sobre o desvio de 1,4 pontos percentuais detectada na execução orçamental dos primeiros oito meses do ano, Olli Rehn afirmou que os parceiros europeus ainda estão a analisar os dados, afirmando que se terá em conta que se trata de uma questão pontual e não parte do défice estrutural.

Antes da reunião com o ministro da Economia, o comissário europeu foi recebido no Palácio da Moncloa pelo Presidente do Governo. Segundo o El País, esteve ainda reunido com responsáveis do Banco de Espanha, em contactos que Luis de Guindos considerou “habituais”.