FAO, IFAD e PAM receiam crise alimentar mundial

Três agências da ONU pedem combate à subida dos preços dos alimentos

Os preços do milho, trigo e soja têm subido muito
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Os preços do milho, trigo e soja têm subido muito Foto: Pedro Cunha

As três agências das Nações Unidas que lidam com questões alimentares pediram hoje acção urgente das autoridades internacionais para fazer baixar os preços do milho, do trigo e da soja, evitando que a sua subida se transforme numa catástrofe que afectará dezenas de milhões de pessoas nos próximos meses.

Os três responsáveis máximos da FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura), do IFAD (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola) e do PAM (Programa Alimentar Mundial), com sede em Roma, identificam dois problemas que devem ser enfrentados: a questão imediata da forte subida de alguns preços agrícolas e a questão, de longo prazo, sobre o modo como se processa a produção, o comércio e o consumo de alimentos, num contexto de crescimento da população e da procura e de alterações climáticas, lê-se no comunicado disponibilizado no site da FAO.

A actual subida de preços “pode ter um pesado impacto sobre os países dependentes da importação de alimentos e sobre as pessoas mais pobres”, e existem receios de uma crise alimentar mundial desencadeada devido à subida de preços semelhante à de 2007-2008, que pode ser evitada por uma “rápida acção internacional coordenada”.

Na sua declaração conjunta, José Graziano da Silva (FAO), Kanayo F. Nwanze (IFAD) e Ertharin Cousin (PAM) consideram que a alimentação mundial é vulnerável “até nos anos bons”, porque a produção global de cereais “dificilmente é suficiente para satisfazer a procura crescente de alimentos, rações e combustíveis”, num mundo onde há cerca de “mais 80 milhões de bocas a alimentar todos os anos”. E “estamos em risco porque apenas uma mão-cheia de nações são grandes produtoras de produtos alimentares básicos, e quando elas são afectadas toda a gente é”.

Assim, pedem que se promova a produção sustentável de alimentos nos países portes importadores de comida, muitos deles com um “enorme potencial para melhorar a produção”, e que se diminua a perda e desperdício de alimentos, que atinge cerca de um terço da produção, “devido a danos, desperdício ou outras causas”. E também que se “invista mais na agricultura e na protecção social, incluindo em programas que ajudem as pessoas pobres a ter acesso a comida que se tornou incomportável nos seus mercados locais”.

Por fim, estas três agências da ONU pretendem que sejam revistas e ajustadas as políticas actualmente em vigor que encorajam o uso não alimentar dos cereais, por exemplo ajustando os apoios aos biocombustíveis quando os mercados globais estiverem sob pressão e o abastecimento de alimentos estiver em risco – o que aliás já foi recomendado por várias organizações internacionais, como a FAO, o PAM, o FMI, a OCDE, o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio, e que ainda hoje não foi atendido.