Na noite dos dEUS, o show foi de Alexis Krauss

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Alexis Krauss polarizou atenções Foto: Paulo Pimenta

Na noite em que a chuva largou a vila minhota, para alívio dos festivaleiros que passaram duas noites encharcados, a banda de Alexis Krauss e Derek Edward Miller mostrou como uma boa ideia às vezes é suficiente para reivindicar um espaço estético. E a ideia dos Sleigh Bells é, dizemos nós, amplificar algumas características do rock para o homenagear, como se de um musical se tratasse.

É isso que fazem a descomunal parede de amplificadores (Marshall, pois claro), os riffs de guitarra sacados do metal, a sexualidade de Alexis Krauss (moça excessivamente sexy) à solta com o seu casaco de cabedal, entre o punk de rua e a revista de moda, e as programações rítmicas pré-gravadas que ora lembram as batidas do hip-hop, ora emulam as baterias de metal e os seus excessos (como o pedal duplo). Foram vencedores, mesmo com a vocalista nitidamente rouca.

Pela terceira vez em Paredes de Coura, como lembrou, em português, Tom Barman, os dEUS visitaram alguns clássicos, como Instant Street, e temas menos conhecidos, mas, nem nuns, nem noutros, conseguiram reacções efusivas – efeitos da sobreexposição em palcos portugueses? Pelo contrário, os The Temper Trap beneficiaram do efeito novidade e foram muito apreciados, mesmo que a pop que fazem seja verdadeiramente inofensiva.

Na noite de concertos que contou com os Midlake a estabelecer uma ponte entre a folk-rock britânica dos anos 1970 e a melancolia dos Radiohead, os Digitalism mostraram como o filão Daft Punk continua vivo. Fizeram Paredes de Coura dançar e abriram a porta para outras propostas dançantes noite dentro.

O Festival Paredes de Coura continua esta quinta-feira com Kasabian, Anna Calvi, Of Montreal, Gang Gang Dance, The Whitest Boy Alive, School of Seven Bells, entre outros.