Inquérito às Condições de Vida e Rendimento

1,8 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza em 2010

Intensidade da pobreza agravou-se em 2010.
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Intensidade da pobreza agravou-se em 2010. Foto: Manuel Roberto

O risco de pobreza agravou-se ligeiramente para 18%. Famílias com filhos a cargo e desempregados estão entre os mais afectados.

Em 2010, 18% população residente em Portugal estava em risco de pobreza, um valor próximo dos 17,9% registados nos dois anos anteriores, revela o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, divulgado esta sexta-feira.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes aumentou para 20,1%, um ponto percentual acima da taxa apurada em 2009. Este resultado piora no caso dos agregados constituídos por um adulto e uma criança (27,9%) e por dois adultos com três ou mais crianças (34,5%)

Já a taxa de risco de pobreza para a população idosa baixou para 20% em 2010 (21% em 2009), enquanto a taxa de risco de pobreza para os menores de 18 anos se manteve nos 22,4% e a da população activa aumentou de 15,7% em 2009 para 16,2% em 2010.

O risco de pobreza para a população em situação de desemprego em 2010 foi de 36%, uma redução de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior, enquanto a da população empregada registou um aumento de 0,6 pontos percentuais, situando-se nos 10,3% em 2010. A taxa de risco de pobreza para a população reformada correspondeu a 17,9% em 2010 (18,5% em 2009).

Transferências sociais com menor impacto

Os dados do INE revelam ainda que o impacto das transferências sociais na redução do risco de pobreza em 2010 foi inferior ao observado no ano anterior.

Considerando apenas os rendimentos do trabalho, 42,5% da população estaria em risco de pobreza (43,4% em 2009). Mas após o pagamento de prestações sociais relacionadas com doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social a taxa de risco de pobreza cai para 18%. Porém, o contributo destas prestações foi menor do que em 2009.

Já os rendimentos provenientes de pensões contribuíram para um decréscimo de 17,2 pontos percentuais do risco de pobreza, colocando a taxa nos 25,4% (26,4% em 2009).

A intensidade da pobreza aumentou ligeiramente. “A taxa de intensidade da pobreza, que mede a diferença entre o valor do limiar de pobreza e o rendimento monetário mediano das pessoas em risco de pobreza, foi de 23,2% em 2010, agravando-se a insuficiência de rendimento da população em risco de pobreza relativa face ao valor registado em 2009 (22, %)”, alerta o INE.

Habitação exige maior esforço

Os dados hoje divulgados permitem ainda analisar as condições de vida da população em 2011 e que, de uma forma geral, têm vindo a melhorar. Contudo, verificou-se um aumento significativo da população cujas despesas com habitação pesavam mais de 40% no rendimento disponível.

A chamada taxa de sobrecarga das despesas em habitação passou de 4,2% em 2010 para 7,2% em 2011.

No ano passado, 11% dos indivíduos viveram com insuficiência de espaço habitacional (taxa que compara com 14,6% em 2009) e 4% confrontaram-se com condições severas de privação habitacional, vivendo em casas sobrelotadas e com pelo menos uma insuficiência relativa a instalações de higiene, luz natural insuficiente ou problemas de humidade (em 2009, a taxa de privação severa foi de 5,6%).

Já no que respeita à privação material, os indicadores também melhoraram. A taxa de privação severa – que diz respeito a situações em que se verificam quatro de uma lista de nove dificuldades, onde se incluem a incapacidade para fazer face a um pagamento inesperado, atraso no pagamento de despesas regulares, não ter capacidade para fazer uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias, não ter acesso a automóvel, telefone fixo ou móvel e a uma semana de férias por ano – afectou 8,3% da população, um pouco melhor do que os 9% verificados em 2010.

Notícia actualizada às 13:50 com dados sobre a privação material