Mercado de trabalho

OCDE prevê subida do desemprego em Portugal para 16,2% em 2013

No final de 2011, mais de 35% dos desempregados na OCDE estavam fora do mercado de trabalho há, pelo menos, um ano
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No final de 2011, mais de 35% dos desempregados na OCDE estavam fora do mercado de trabalho há, pelo menos, um ano Foto: Enric Vives-Rubio

Com a economia em recessão e o equilíbrio das contas públicas como prioridade na zona euro, o desemprego na moeda única deverá continuar a aumentar no próximo ano, quando já estará a diminuir no conjunto dos países da OCDE. Para Portugal, a organização projecta um aumento da taxa até a 16,2% em 2013.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que hoje divulgou as previsões de desemprego para os seus 34 Estados-membros, calcula que a taxa tenha atingido 15,3% no segundo trimestre em Portugal e que chegue a 15,8% na recta final do ano.

De acordo com as estatísticas relativas ao segundo trimestre, Portugal é o país da OCDE com a terceira taxa mais alta, depois de Espanha e da Grécia. Este ano, a estimativa é de um agravamento da taxa para 15,4%, em linha com a previsão do Governo (15,5%). Para 2013, o Executivo aponta para um nível de desemprego de 16% da população activa, ligeiramente abaixo do que projecta a OCDE.

A organização enfatiza, no relatório agora divulgado, que a taxa de desemprego média dos 34 países rondará 8% no final do próximo ano. E que as perspectivas são mais desanimadoras para a zona euro, com especial ênfase nos níveis de desemprego dos jovens.

Enquanto no conjunto da OCDE o desemprego recuará, ainda que de forma ligeiro, já em 2013 (de 8% este ano para 7,9%), nos países da moeda única a taxa continuará a aumentar (de 10,11,1% para 11,1%).

Nos últimos três meses do ano passado, mais de 35% dos desempregados do conjunto dos países da organização estavam fora do mercado de trabalho há, pelo menos, um ano. E nos países da União Europeia, cerca de 44% eram desempregados de longa duração, nota em editorial o director para o Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, John P. Martin.

“Mesmo se a actual recuperação [económica] está longe de se encontrar concluída, não é demasiado cedo para considerar como é que as políticas do mercado laboral e as instituições podem ser reformadas para aumentar a resiliência do mercado de trabalho a choques económicos negativos”, sublinha.

O responsável da OCDE especifica que, no curto prazo, a melhoria das condições do mercado de trabalho está muito dependente da retoma da actividade económica dos países. E é determinada ainda por factores que as próprias autoridades do sector não podem controlar directamente. “A recente divergência entre a queda do desemprego nos Estados Unidos e o aumento do desemprego em vários países da zona euro reflecte o impacto da crise bancária e da dívida numa série de países europeus”.

O responsável refere Portugal, Espanha, Itália e Grécia como exemplos de países que, para responder à crise, estão a conduzir reformas para reduzir a disparidade na protecção do emprego entre os trabalhadores permanentes e os trabalhadores temporários.

A OCDE considera que as reformas laborais terão maior impacto – no aumento do emprego e na colocação de trabalhadores em sectores mais produtivos – se forem acompanhadas por outras reformas nos sectores que têm um “forte potencial de criação de emprego”, como o comércio a retalho e os serviços.

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