FAO alerta para sobreexploração de 30% dos stocks mundiais de peixe

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O sector das pescas é fonte de rendimento para 55 milhões de pessoas Sonny Tumbelaka/AFP

“Numerosos stocks haliêuticos marinhos, controlados pela FAO, continuam sujeitos a fortes pressões”, releva o relatório A situação mundial das pescas e da aquacultura, 2012, divulgado nesta segunda-feira em Roma, sede daquela organização, durante a 30ª sessão do Comité de Pescas (de 9 a 13 de Julho).

De acordo com as estatísticas mais recentes, “cerca de 30% desses stocks estão sobre-explorados – uma ligeira diminuição em relação aos últimos dois anos –, 57% estão totalmente explorados (isto é, as capturas já atingiram ou estão a aproximar-se da capacidade máxima de produção) e apenas 13% não estão completamente explorados”, precisa a FAO.

O relatório indica também que o sector produziu um número recorde de 128 milhões de toneladas de peixe para consumo humano – com uma média de 18,4 quilos por pessoa –, garantindo a mais de 4,3 mil milhões de pessoas 15% das suas necessidades de proteínas animais. A FAO estima que, até 2021, a produção de pescado atinja 172 milhões de toneladas. A importância do sector é ainda demonstrada com um outro número: é a fonte de rendimento para 55 milhões de pessoas.

“As pescas e a aquacultura têm um papel vital na economia mundial, nacional e regional”, disse José Graziano da Silva, director-geral da FAO. “Os meios de subsistência de 12% da população mundial dependem, directa ou indirectamente, das pescas”, acrescentou.

Por isso, a FAO pede aos governos uma gestão mais sustentável dos recursos piscícolas, nomeadamente a concretização de planos de recuperação dos stocks sobre-explorados.

“A sobreexploração não causa apenas consequências ecológicas negativas, mas também reduz a produção de peixe, o que leva a consequências sociais e económicas negativas”, escrevem os autores do relatório.