Gronelândia proibida de caçar baleias

Uma baleia-de-bossa ao largo da costa mexicana
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Uma baleia-de-bossa ao largo da costa mexicana Stringer/Reuters

A partir do final deste ano, a Gronelândia vai deixar de caçar baleias, depois de nesta quinta-feira a Comissão Baleeira Internacional ter rejeitado o pedido da Dinamarca para aumentar as quotas.

A Dinamarca propôs, na 64.ª reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI), que termina nesta sexta-feira no Panamá, autorização para os povos indígenas da Gronelândia caçarem 1326 baleias entre 2013 e 2018. Assim, todos os anos, os povos indígenas propõem-se caçar 10 baleias-de-bossa (Megaptera novaeangliae), 19 baleias-comuns (Balaenoptera physalus), 190 baleias-anãs (Balaenoptera acutorostrata<_29_ e="" 2="" _baleias-da-gronelc3a2_ndia="">Balaena mysticetus).

Apesar de a CBI ter em vigor uma moratória à caça comercial desde 1986, atribui quotas anuais aos povos indígenas, como no Alasca e Sibéria. Nesta quarta-feira, foi aprovado o prolongamento da caça nestas regiões e em São Vicente e Granadinas (nas Caraíbas), por seis anos.

Mas a proposta da Dinamarca não foi aprovada, tendo recebido 25 votos a favor, 34 contra e três abstenções. Os delegados e representantes das organizações ecologistas dizem-se preocupados com o aumento da venda de carne de baleia na Gronelândia. Isto, dizem, demonstra que se trata de uma caça comercial disfarçada e não de uma prática tradicional destinada ao consumo indígena, autorizado pela CBI.

Agora, quando as suas quotas expirarem, no final de 2012, a Gronelândia deixará de estar autorizada a caçar baleias. “Vamos regressar a casa e reflectir naquilo que faremos no futuro”, disse o delegado dinamarquês, Ole Samsing, aos jornalistas.

Entre os países que votaram contra estão os restantes membros da União Europeia (UE), bloco que tem assumido uma posição pró-conservação, contrastando com a Dinamarca, e onde os cetáceos estão protegidos pela Directiva Habitats, de 1992.

“A Dinamarca opôs-se, mais uma vez, à posição pró-conservação da UE e, sem ter consultado de forma apropriada os outros Estados-membros, apresentou uma proposta para um aumento das quotas de caça à baleia para a Gronelândia. Qualquer que tenha sido a razão, este acto unilateral causou irritação na UE”, disse Chris Butler-Stroud, presidente da organização Whale and Dolphin Conservation Society (WDCS), num artigo de opinião publicado no site Euroactiv.

As divisões internas da UE no dossier baleeiro não são de hoje. Por exemplo, em Junho de 2009, na 61ª reunião anual da CBI realizada no Funchal, a Dinamarca apresentou um pedido para uma quota adicional de dez baleias-de-bossa para serem caçadas na Gronelândia. Mas a votação acabou por ser adiada.