Aviação

Pilotos da TAP mantêm greve e garantem que a motivação não é salarial

O sindicato dos pilotos defende que não se pode pedir a todos os trabalhadores da TAP que sofram com a austeridade
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O sindicato dos pilotos defende que não se pode pedir a todos os trabalhadores da TAP que sofram com a austeridade Foto: Fernando Veludo/Arquivo

Apesar de a greve dos trabalhadores da NAV ter sido cancelada, a TAP vai enfrentar dentro de uma semana uma paralisação dos pilotos. O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Jaime Prieto, diz que o motivo da paralisação não é salarial e assegura que os pilotos vão mesmo avançar com greves em Julho e Agosto.

Jaime Prieto afirmou nesta quinta-feira que que existe na companhia um clima de “intimidação” para contornar “práticas de gestão deficitárias”, como a falta de pilotos.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) entregou a 21 de Junho o pré-aviso para uma greve entre 5 e 8 de Julho e 1 e 5 de Agosto. “Não há razão nenhuma para desconvocar a greve”, disse hoje aos jornalistas o presidente do SPAC.

Depois de negociações com o Governo, foi cancelada uma greve na NAV que começaria esta sexta-feira (até 3 de Julho) , depois de os trabalhadores conseguirem um compromisso do Executivo para analisar a possibilidade de excepcionar a NAV das medidas de contenção impostas às empresas públicas.

No caso das paralisações dos pilotos, Jaime Prieto explica que as razões têm a ver com o clima “degradado” que se vive no interior da TAP, com a “desigualdade de tratamento” por parte da administração e “perseguição” de chefias aos pilotos.

“Não se pode pedir a todos os trabalhadores que sofram com a austeridade e dar a quem exerce cargos disciplinares (chefes e directores) aumentos régios, em alguns casos superiores a 40%”, afirmou Jaime Prieto, considerando que a política na TAP pode ser expressa na frase “em tempo de fome aumente-se o capataz”.

Questionado sobre as razões que podem levar o sindicato a desconvocar a greve, o presidente do SPAC disse que passa por a administração liderada por Fernando Pinto “inverter a política interna” da transportadora aérea

“Não se pode impor disciplina arbitrária, dualidade de critérios, perseguição, intimidação, que leva ao descontentamento, quando estas práticas são executadas por quem recebeu os aumentos”, afirmou o dirigente sindical.