Crise do euro

Agência Moody’s corta rating a 28 bancos de Espanha

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Foto: Andrea Comas/ Reuters

No mesmo dia em que o Governo de Espanha formalizou junto da União Europeia o pedido de apoio à recapitalização do sector financeiro, 28 bancos do país sofreram um corte de rating pela agência de notação norte-americana Moody’s.

Para a banca espanhola – a viver um momento de particular pressão, sendo ainda desconhecidos os termos exactos do resgate europeu à banca – trata-se de um “golpe histórico”, como classificou de antemão o diário económico Expansión, com base em informações de que os bancos já tinham sido informados pela Moody’s do corte que veio a oficializar-se depois do fecho das bolsas em Nova Iorque.

Esta vaga de revisões em baixa – entre descidas que vão de um a quatro níveis – é explicada pela agência num comunicado como uma consequência da recente degradação da nota de crédito do Estado, em três níveis. A esta justificação a agência acrescenta uma outra: a possibilidade de a exposição das instituições financeiras ao sector imobiliário provocar perdas adicionais, em particular aos bancos que venham a precisar de “apoio externo”.

Entre as entidades visadas estão bancos de diferentes dimensões em termos de activos bancários em Espanha. O Santander, grupo presente em Portugal através do Santander Totta, ficou classificado com um rating acima daquele em que está avaliado o Estado espanhol.

O BBVA, o CaixaBank, o Banesto ou o Caja Laboral ficaram com as suas notas no mesmo nível da dívida soberana espanhola (Baa3).

Embora seja um corte esperado, tendo em conta que há menos de duas semanas a mesma agência baixou o rating à dívida do Estado, acontece no dia em que o Governo formalizou o pedido de assistência para recapitalizar os bancos em dificuldades.

A vaga de cortes sucede ainda num quadro de grande incerteza sobre os termos do resgate, mas quando são já conhecidas as estimativas das necessidades de capital das entidades financeiras, que, no cenário mais gravoso, podem chegar aos 62 mil milhões de euros.

Na explicação desta nova vaga de cortes, a Moody’s sublinha que o Governo de Mariano Rajoy está a tomar medidas direccionadas para o sector bancário, que considera positivas e às quais garante que estará atenta para medir o impacto da recapitalização com ajudas públicas individualmente nos bancos que venham a ser intervencionados.

A agência é a mesma que, na noite de quinta-feira passada, cortou o rating a 15 grandes bancos a nível mundial, entre os quais se encontravam entidades norte-americanas, alemãs e francesas. Foi também a Moody’s quem, há pouco mais de um mês, baixou a nota de crédito a 16 bancos espanhóis, quando os responsáveis europeus endureciam o discurso em relação à real situação do sector.

A agência já alertara para o agravamento da situação económica de Espanha, as dificuldades crescentes do Tesouro no acesso aos mercados financeiros internacionais, com a subida dos juros, e o impacto que o resgate para a banca deverá ter na dívida do Estado.

O corte acontece cinco dias depois de o Executivo de Mariano Rajoy divulgar as conclusões das auditorias ao sector financeiro, pedidas a duas consultoras que estimaram entre 51 mil milhões a 62 mil milhões de euros as necessidades de capital para as instituições sanearem as contas.

Notícia actualizada às 0h09 de 26 de Junho

: Acrescenta as justificações da agência Moody's e contexto sobre o sector financeiro espanhol.

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