Ambiente

Liga para a Protecção da Natureza surpreendida com discurso de Passos Coelho na Rio+20

A LPN lamenta os cortes que levaram à desorganização dos serviços de conservação da natureza
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A LPN lamenta os cortes que levaram à desorganização dos serviços de conservação da natureza Paulo Pimenta

As afirmações do primeiro-ministro na conferência Rio+20, nesta quinta-feira, surpreenderam a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) por contrastarem com as opções ambientais que o Governo está a tomar em Portugal.

“Assumimos hoje uma responsabilidade colectiva perante as gerações futuras. Falhar não é uma opção. E aqui não falhámos”, disse Pedro Passos Coelho no seu discurso no plenário da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

Hoje, a LPN diz-se surpreendida. “Estas afirmações contrastam com os resultados da conferência e principalmente com a actuação interna de Portugal a nível do Ambiente”, escreve em comunicado a direcção da mais antiga associação de defesa do Ambiente do país, criada em 1948.

A associação recorda uma lista de seis “processos contra o ambiente” em curso no país, que inclui a construção da barragem do Tua e do Sabor, o corte nos subsídios de apoio à instalação de equipamentos de energia renovável e as propostas de novas leis como a dos solos – “que visa eliminar os regimes de protecção e conservação da natureza” – e da arborização do país. Além disso, a LPN lamenta a “falta de apoio às áreas marinhas protegidas”, bem como os “cortes que levaram à total desorganização dos serviços de conservação da natureza em Portugal”. Da lista fazem ainda parte a “falta de apoio político e fiscalização efectiva das reservas e parques naturais” e as reformas nos licenciamentos industriais “que visam abolir todas as condicionalidades ambientais”.

A Liga espera agora que o Governo “reconsidere as opções que tem tomado” e “que se têm demonstrado absolutamente avessas ao desenvolvimento sustentável e à conservação da natureza”.

Sobre a Rio+20, a LPN também tem críticas a fazer, denunciando que termina “sem coragem política para resolver problemas que já são prementes, atirando todos a culpa para cima dos outros e rejeitando qualquer decisão palpável”.