Crise do euro

Barroso diz que nem “todas as capitais” percebem a urgência da resposta à crise

Durão Barroso afirmou que a fragmentação da UE "não é uma opção"
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Durão Barroso afirmou que a fragmentação da UE "não é uma opção" Vincent Kessler/Reuters
Mariano Rajoy defendeu no Parlamento de Madrid que Espanha deveria ter pedido apoio à UE há três anos
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Mariano Rajoy defendeu no Parlamento de Madrid que Espanha deveria ter pedido apoio à UE há três anos Andrea Comas/Reuters
Mario Monti diz que a pressão dos mercados não acontece apenas sobre a dívida soberana italiana
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Mario Monti diz que a pressão dos mercados não acontece apenas sobre a dívida soberana italiana Max Rossi/Reuters

A urgência de uma resposta firme para evitar que as dificuldades de Espanha arrastem outras economias do euro levou vários responsáveis europeus a sublinhar que é preciso agir rapidamente para travar o contágio da crise das dívidas. Mariano Rajoy pediu maior integração orçamental. Mario Monti falou num pacto para o crescimento. Mas foi Durão Barroso quem mais dramatizou a situação nesta quarta-feira: “Não sei se a urgência é hoje claramente compreendida por todas as capitais” europeias.

Num discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o Presidente da Comissão Europeia reconheceu que a sobrevivência da zona euro – enfrentando a moeda única um “problema sistémico” – pode estar em risco, se não houver uma resposta abrangente à crise.

O alerta foi deixado a dias da realização de novas eleições na Grécia e numa altura de particular tensão no mercado de dívida soberana, onde a pressão sobre Espanha e Itália aumentou depois do pedido de resgate feito no sábado pelo Governo de Madrid para a recapitalização do sistema bancário.

Mariano Rajoy esteve hoje no Parlamento nacional pela primeira vez desde que o seu Governo formalizou o pedido. Discursou, nota o El País, sem pronunciar a palavra “resgate”. Defendeu que o país deveria ter actuado há três anos, quando os socialistas estavam no poder, pedindo nessa altura apoio europeu para o sector financeiro. E insistiu que cabe à zona euro dar um passo em frente na integração orçamental, retomando a ideia que defendeu há dias, quando sugeriu a criação de uma autoridade europeia que centralize o controlo das contas públicas dos países da zona euro.

Barroso, a quem – soube-se hoje – Rajoy escreveu três dias antes de Espanha pedir um resgate para a banca pedindo uma acção urgente para resolver a crise, referiu em Estrasburgo que a fragmentação da UE “não é uma opção”. “Só há uma União, só há um Parlamento Europeu, só há uma Comissão Europeia”.

Para o presidente da Comissão Europeia, a UE precisa de uma séria discussão sobre a mutualização das dívidas nacionais, na forma de obrigações de estabilidade – uma das opções que a Comissão Europeia propôs ser estudada no quadro do reforço da governação económica. E ao Conselho Europeu, disse, cabe tomar acções concretas em direcção a uma verdadeira união económica e monetária.

A preocupação com o futuro da moeda única, a sustentabilidade da dívida dos países da zona euro, e a necessidade de ser criada uma autoridade orçamental foi justamente expressa numa carta que Mariano Rajoy enviou, a 6 de Junho, a Durão Barroso e ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Na missiva, o Presidente do Governo espanhol dizia ser preciso “agir com urgência para estabilizar os mercados financeiros” e, num apelo a uma maior intervenção do BCE na resolução da crise, apontava a autoridade bancária como a única instituição com a capacidade para assegurar “as condições de estabilidade e liquidez” à zona euro.

No texto, sublinha o El País, Rajoy manteve as posições defendidas nas últimas semanas. E não se refere sequer a um pedido de resgate para o sector financeiro. Insiste que é preciso “actuar de forma decidida” – a nível nacional e europeu, precisa.

Apesar do pedido de resgate à banca espanhola, que pode chegar aos 100 mil milhões de euros, como admitiu o Eurogrupo, o mercado de obrigações continua muito volátil. As taxas de juro da dívida espanhola a dez anos renovaram na terça-feira um máximo histórico desde a entrada do país na zona euro, para os 7,6%. Hoje, continuam numa zona de alto risco, capaz de comprometer, a prazo, as condições de financiamento do Estado no mercado primário. E, ao mesmo tempo, pressionam os títulos de dívida de Itália, a terceira maior economia da moeda única.

Procurando relativizar estas preocupações, o primeiro-ministro, Mario Monti, lembrou que a pressão dos mercados não se verifica apenas sobre a dívida soberana italiana. Para travar o contágio, disse Monti, são precisas medidas credíveis a nível europeu, como um pacto “de medidas para o crescimento”.

A mesma mensagem de tranquilidade foi dada pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que ao jornal italiano La Stampa considerou que Itália não está em perigo de pedir um resgate financeiro para assegurar as suas necessidades de financiamento, se a terceira maior economia da moeda única prosseguir com “o caminho” das reformas tomadas pelo primeiro-ministro.