Crise do euro

Juros das dívidas de Itália e Espanha voltam a disparar

As taxas de juro das obrigações portuguesas a dez anos estão em queda
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As taxas de juro das obrigações portuguesas a dez anos estão em queda Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP

O pedido de resgate de Espanha para a recapitalização da banca parece não ter dissipado as dúvidas sobre o risco financeiro do país. As taxas de juro da dívida espanhola aproximam-se 7% e estão a pressionar a dívida italiana, que se mantém numa zona de alto risco, sob o radar dos mercados.

Pelo segundo dia consecutivo desde que o Governo de Madrid pediu à União Europeia (UE) um apoio para o sector financeiro, que pode chegar aos 100 mil milhões de euros, as taxas de juro implícitas às transacções de títulos de dívida espanhola mantêm-se num patamar insustentável a prazo.

Ao início da tarde, os títulos com prazo de vencimento de dez anos seguiam nos 6,6%, o valor mais alto deste ano e estavam já muito próximos do recorde histórico da era do euro (6,7%) registado pela agência Reuters em Novembro do ano passado.

O facto de os juros da dívida transaccionada no mercado secundário (de revenda de dívida) se manterem em alta depois do pedido de resgate é um sinal da desconfiança dos credores de Espanha, aumentando a pressão sobre a quarta economia da moeda única e retirando margem de manobra para o Estado se financiar nas colocações de dívida no mercado primário.

Recorde-se que, no caso português, os 7% foram apontados em Outubro de 2010 pelo então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, como a barreira a partir da qual se deveria colocar a hipótese de Portugal recorrer a uma intervenção externa, o que veio a acontecer seis meses mais tarde.

A pressão dos mercados de dívida estende-se às Obrigações do Tesouro italianas. As taxas a dez anos saltaram de patamar, subindo nesta terça-feira para os 6,1%.

O comportamento dos títulos espanhóis e italianos alinha com o da Grécia e da Irlanda, que registam uma subidas das taxas de juro a dez anos. Entre os países intervencionados pela UE e o FMI, só Portugal beneficia hoje de uma ligeira redução das taxas.

As obrigações gregas subiam para os 29,5%, as irlandesas estavam nos 7,4%, enquanto os títulos portugueses baixavam para os 10,73%.

A pressão sobre as taxas de Espanha a dez anos, assim como as de Itália, mantém-se há semanas. Quando uma solução europeia para a banca era considerada inevitável na zona euro, houve um recuo, ao qual se seguiu, entretanto, uma subida das taxas e um aumento das margens em relação às taxas alemãs (que são a referência dos mercados). Nos títulos a dez anos, o diferencial do prémio de risco era de 543 pontos.