Estudo publicado hoje

Deutsche Bank propõe moeda paralela para a Grécia: o geuro

Esta medida facilitaria o regresso ao euro, dizem os especialistas do banco
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Esta medida facilitaria o regresso ao euro, dizem os especialistas do banco REUTERS/Johannes Eisele

O Deutsche Bank, maior banco privado alemão, propôs nesta terça-feira a introdução de uma moeda paralela ao euro na Grécia, caso os adversários das medidas de austeridade ganhem as eleições legislativas de 17 de Junho.

A medida garantiria a continuação dos apoios financeiros internacionais, para que a Grécia possa pagar as suas dívidas, afirma-se num estudo dos economistas do Deutsche Bank, publicado nesta terça-feira.

“A Grécia poderia assim desvalorizar a sua própria moeda, sem sair formalmente do euro”, explicam os mesmos especialistas, que sugerem também o nome de geuro para a moeda paralela grega.

A nova unidade monetária consistiria em títulos da dívida pública emitidos pelo Estado helénico, que poderiam ser vendidos nos mercados de capitais.

Inicialmente, o geuro sofreria uma forte desvalorização em relação ao euro, mas de acordo com o estudo do Deutsche Bank o governo grego teria a possibilidade de reforçar a nova moeda, através de uma sólida política orçamental.

A par da introdução de novas reformas estruturais, a referida política facultaria o regresso em pleno ao euro, explicam os economistas alemães.

Uma renúncia total da Grécia ao euro é considerada “improvável” no mesmo estudo, porque a maioria dos gregos deseja continuar na moeda única, referem ainda os autores do estudo.

O Deutsche Bank considera ainda “pouco provável” que a troika (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) suspenda totalmente as ajudas à Grécia, em caso de vitória das forças políticas que querem renegociar o memorando assinado por Atenas nas legislativas de junho.

O pagamento de novas prestações do pacote de ajudas de 130 mil milhões de euros, aprovado em Março, seria anulado, mas o serviço da dívida grega deveria continuar a ser assegurado pelos parceiros internacionais, para que os bancos gregos pudessem ser apoiados por um bad bank europeu, onde seriam depositados os chamados títulos tóxicos (muito desvalorizados), prevê o banco alemão.

A proposta de introdução de uma moeda paralela ao euro na Grécia já foi avançada anteriormente por outros economistas, mas voltou a ganhar actualidade, face à instabilidade política que se gerou após as legislativas de 6 de Maio, que não permitiram formar novo Governo em Atenas.