Prédio devoluto, em Lisboa, ocupado em solidariedade com movimento Es.Col.A

Vários jovens ocuparam um prédio devoluto na rua de São Lázaro, em Lisboa, em solidariedade com o grupo de activistas do movimento Es.Col.A que ocupou a desactivada escola da Fontinha, no Porto, disse o comandante da Polícia Municipal.

“Sim, o prédio foi ocupado ontem [quarta-feira] à noite e ainda estão lá”, disse o comandante André Gomes à Agência Lusa, não precisando o número de participantes.

Segundo o comandante, os jovens vão ser notificados pela Polícia Municipal para sair do edifício e terão 10 dias a partir daí para o fazer livremente.

“Se não saírem, temos de os tirar de lá coercivamente”, afirmou.

Segundo André Gomes, isso só não acontecerá se a Câmara Municipal de Lisboa, proprietária do edifício, permitir que os jovens lá permaneçam.

A ocupação do prédio em Lisboa já está a ser divulgada no Facebook, rede social em que foram colocadas fotografias, e num manifesto divulgado na Internet em que se afirma que o edifício foi ocupado por cerca de 50 pessoas.

Hoje, pelas 18h realizou-se uma assembleia em Lisboa e para as 21:00 está marcado um jantar na casa ocupada em São Lázaro “em solidariedade com a Es.Col.A”, refere o manifesto.

O movimento Es.Col.A ocupou a antiga escola do Alto da Fontinha em Abril de 2011, para dinamizar diversas actividades, desde hortas a teatro, passando por ioga e cinema, mas em Maio desse ano foi despejado pela Câmara do Porto.

A autarquia acabaria por ceder a escola ao movimento até Dezembro de 2011, com o argumento de que a autarquia teria “em fase de negociação” um projecto municipal para aquele edifício, abandonado há cerca de cinco anos.

O movimento revelou em Fevereiro ter recebido uma carta da Câmara do Porto “a comunicar o término da cedência” e fonte oficial da autarquia revelou na altura ter autorizado o Es.Col.A a permanecer na escola até ao final de Março, enquanto decorriam negociações sobre a ocupação do espaço.

Na semana passada, o movimento foi despejado pela polícia e a Câmara do Porto revelou que estava disponível a permitir a ocupação do espaço até ao fim de Junho, desde que fosse formalizado um contrato de cedência e se fizesse o pagamento de uma renda simbólica de 30 euros. Três activistas do movimento foram nessa altura detidos pela polícia e são julgados em 2 de Maio.

Na quarta-feira, 25 de Abril, milhares de pessoas ocuparam a antiga escola primária, quebrando o cadeado de protecção do portão e entrando no espaço. Durante toda a tarde, os activistas retiraram as várias chapas de metal pregadas nas portas e janelas da escola que tinham sido colocadas por trabalhadores da Câmara do Porto.

Hoje, funcionários municipais entaiparam as entradas do edifício.