Instituições dizem que empresa ultrapassou linha da imparcialidade

Banca da Dinamarca rasga contratos com a agência Moody's

As agências de rating têm sido contestadas sobretudo desde 2008
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As agências de rating têm sido contestadas sobretudo desde 2008 Mike Segar/Reuters

Os principais bancos da Dinamarca fartaram-se da alegada "parcialidade" da Moody's e começaram a rasgar os contratos que mantinham com a agência de rating norte-americana.

Uma das instituições que decidiram cortar as ligações com a Moody's foi o Nykredit, que é só o maior emissor europeu de obrigações hipotecárias suportadas por créditos à habitação. Rescindiu, já na semana passada, o contrato com a agência. Em Julho, segue-se a RealKredit, a unidade do Dansk Bank que detém a segunda posição no bolo dos empréstimos para compra de casa concedidos no país.

Já o Jyske Bank, que é o terceiro maior na banca comercial dinamarquesa, confirmou à agência Bloomberg que também está a equacionar romper o contrato com a Moody's.

Todos estes bancos sustentaram que estas posições só foram assumidas depois de intensos contactos com os investidores, que resultaram na percepção de que as análises da agência de rating não são consideradas como um dado determinante nas suas opções de negócio.

Alias, nos últimos meses, os níveis de colocação das emissões de obrigações hipotecárias aumentaram mais de 6%, apesar de a Moody's ter, anteriormente, colocado dúvidas sobre a saúde da "indústria" obrigacionista do país nórdico.

Ouvido pela Bloomberg, um responsável do Jyske Bank, Steen Nygaard, sustentou que a Moody's ultrapassou "a linha da imparcialidade". "Não é apenas o facto de nós termos uma opinião e eles terem outra, contrária à nossa, zangamo-nos e vamos embora. Trata-se de [elementos] fundamentais em que nós, simplesmente, não podemos concordar com os argumentos da Moody's", acrescentou o responsável pelo Departamento do tesouro do banco.

A Dinamarca tem o terceiro maior mercado de obrigações hipotecárias do mundo, com 470 mil milhões de euros sob gestão. Surge, nesta área, logo a seguir aos Estados Unidos e à Alemanha.

Em Junho passado, acusou o sector obrigacionista dinamarquês por não estar a fazer tudo o que devia para reduzir os riscos da sua actividade, nomeadamente, através de um maior equilíbrio entre as maturidades das emissões e as necessidades de financiamento.

Mas nem os próprios operadores do sector levaram muito a sério este aviso. Huus Pedersen, responsável de um dos maiores fundos de pensões da Dinamarca, confia no sector. "É um sistema antigo, que já passou por muitas coisas e que, por isso mesmo, me deixa absolutamente seguro. A história tem mostrado que as agências de rating também cometem muitos erros", afirmou Pedersen à agência Bloomberg.

As agências de notação de risco têm estado sob escrutínio público desde que falharam redondamente na prevenção da crise financeira que eclodiu em 2008 com a falência do Lehman Brothers.