Documento assinado em Janeiro

UGT ameaça rasgar acordo de concertação

Assinatura do acordo tripartido, a 18 de Janeiro
Foto
Assinatura do acordo tripartido, a 18 de Janeiro Foto: Enric Vives-Rubio

Central sindical vai pedir reunião com o primeiro-ministro para exigir que o Governo ponha rapidamente no terreno as medidas de apoio ao emprego.

O secretário-geral da UGT, João Proença, lançou esta terça-feira um ultimato ao Governo para que ponha em prática o acordo tripartido para a Competitividade e o Emprego assinado em Janeiro.
“Deixo um aviso claro ao Governo e aos empregadores: ou respeitam na íntegra o acordo tripartido ou a UGT denuncia o acordo”, disse o líder da UGT. “O acordo é bom para o país, por isso queremos que o Governo cumpra o acordo. Queremos saber quais as intenções do Governo e ouvir do mais alto responsável do Governo com o que podemos contar”.

Para a UGT, é urgente avançar com as políticas activas de emprego, a dinamização dos centros de emprego e a publicação das portarias de extensão, que está bloqueada desde o ano passado, impedindo que os contratos colectivos se estendam a todos os trabalhadores e empresas.

“O Governo só conhece três velocidades: devagar, devagarinho e parado. Agora está parado”, ironizou.

João Proença recusou-se a estabelecer um prazo para o Governo cumprir estas medidas do acordo. E embora garanta que não denunciará o acordo no curto prazo, também diz que tudo depende do clima social. Se o desemprego continuar a aumentar ao ritmo dos últimos meses tudo se pode “precipitar”.

“Se a UGT denunciar o acordo é única e exclusivamente porque as outras partes [o Governo] não cumpriram o acordo”, realçou.

A UGT acusou ainda o Governo de “pouco ou nada” fazer para dinamizar a actividade económica e para evitar os despedimentos.

João Proença criticou a “política clientelista” de alargar o número de trabalhadores despedidos por rescisões amigáveis com acesso ao subsídio de desemprego, com impactos “significativos na Segurança Social”. “As decisões abrangem um número reduzido de empresas. Ou é para todos, ou não é para ninguém”, sustentou.