Crise da dívida pública

Espanha paga quase o dobro dos juros para se endividar a curto prazo

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Foto: Andrea Comas/ Reuters (arquivo)

A Espanha colocou hoje no mercado mais de três mil milhões de euros títulos de dívida de curto prazo com juros em forte alta, tal como já aconteceu com a Itália na semana passada, reflectindo os receios sobre as finanças públicas do país.

O Tesouro de Espanha colocou 3178 milhões de euros em títulos com vencimento dentro de um ano e dentro de 18 meses, um pouco acima do limite superior do intervalo anunciado, que era de dois mil milhões a três mil milhões de euros.

No entanto, pagou uma taxa média de 2,623% nos títulos a um ano, quase o dobro (+89,2%) dos 1,418% pagos a 20 de Março, segundo dados da agência Reuters.

Na emissão a ano e meio, pagou uma taxa média de 3,11%, face a 1,711% no mês passado – uma subida de 81,8%.

Os resultados do leilão contrastam assim com os do início do ano, quando os bancos colocaram na periferia da zona euro parte do bilião (milhão de milhão) de euros que tinham recebido em empréstimos baratos do BCE a três anos.

Depois de já este ano se saber que o défice público espanhol de 2011ficou bem acima do previsto (em grande parte por causa dos governos regionais), as taxas de juro implícitas começaram a subir desde Março nos mercados secundários, dissipando o efeito moderador dos empréstimos do BCE, tal como em relação aos juros italianos, mas menos intensamente.

O Estado espanhol vai novamente ao mercado na quinta-feira, para uma emissão de dívida por um prazo mais longo, o que será “um teste mais importante ao apetite dos investidores espanhóis”, disse Richard McGuire, do Rabobank, citado pela Reuters.

Vário analistas disseram também que a procura foi assegurada pela banca espanhola, tal como em Portugal era assegurada pela banca portuguesa antes de o Governo pedir o empréstimo de emergência da troika.