Polinização

Pesticidas mais usados relacionados com o declínio das abelhas

O uso de neonicotinoides coloca uma ameaça à saúde dos abelhões
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O uso de neonicotinoides coloca uma ameaça à saúde dos abelhões Denis Balibouse/Reuters

Dois estudos científicos, agora publicados na revista Science, revelam que os pesticidas mais usados no mundo estão a contribuir para o declínio das populações de abelhas e de abelhões e que, por isso, os processos de autorização devem ser reavaliados.

Em ambas as investigações estudaram-se os efeitos dos neonicotinóides, introduzidos na década de1990 e que se tornaram os insecticidas mais comuns em todo o mundo, no sistema nervoso central das abelhas. Elas têm estado a morrer no mundo inteiro, nas últimas décadas, o que se atribuiu também à infecção por alguns fungos.

A equipa, coordenada por Penelope Whitehorn, da Universidade de Stirling, no Reino Unido, olhou para os efeitos dos imidacloprides, um tipo de neonicotinóide que a Direcção-Geral de Agricultura portuguesa considera “extremamente perigoso para abelhas” e aves.

Durante seis semanas, Whitehorn e os colegas expuseram colónias de abelhões da espécie Bombus terrestris a baixos níveis de imidacloprides, semelhantes àqueles a que estes insectos são expostos na natureza. Os investigadores concluíram que as colónias eram entre 8 a 12% mais pequenas do que aquelas que não foram expostas ao insecticida. Além disso, produziram 85% menos rainhas. “Os abelhões polinizam muitas das nossas culturas e flores selvagens. O uso de neonicotinoides coloca, claramente, uma ameaça à sua saúde e precisa de ser reavaliado com urgência”, disse Dave Goulson, da mesma universidade e co-autor do artigo, citado num comunicado.

O outro artigo - da equipa de Mickaël Henry, do Instituto Nacional francês para a Investigação Agrícola (INRA) – estudou os impactos de um outro neonicotinoide, o tiametoxame, também considerado pela Direcção-Geral de Agricultura portuguesa “perigoso para as abelhas” e que não se deve aplicar na época da floração das plantas. Estes investigadores colocaram microships em cada abelha para seguir os seus movimentos ao entrar e sair das colmeias. Nalguns animais, os cientistas aplicaram uma dose de tiametoxame: a probabilidade de morrerem fora das colmeias aumentou duas a três vezes, porque este insecticida interferiu com as suas capacidades de orientação. “As colónias de abelhas expostas a este químico entram num processo de declínio do qual já será muito difícil recuperar”, concluíram os cientistas.

Os níveis deste insecticida considerados não letais para as abelhas poderão estar subestimados, os autores do estudo salientam os autores do estudo. “Muitas vezes, os fabricantes de insecticidas desconhecem as consequências das doses que não chegam a matar os animais, mas que causam alterações nos seus comportamentos”, concluiu Mickaël Henry.