Em Vila Velha de Ródão

Vila Velha de Ródão: ARH do Tejo acusa câmara e Centroliva de descargas ilegais

Denúncias de descargas ilegais de efluentes no rio Tejo sucedem-se
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As populações e as comunidades piscatórias junto ao Tejo também revelaram as suas preocupações. Carla Carvalho Tomás

A Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Tejo elaborou “autos de notícia” contra a Câmara de Vila Velha de Ródão e a empresa Centroliva, por alegadas descargas ilegais de efluentes, informa um relatório daquela entidade.

Na sequência de queixas sobre alteração da cor das águas do rio Tejo, a ARH realizou na terça-feira uma acção de fiscalização na ribeira do Açafal e no Rio Tejo, junto a Vila Velha de Ródão.

Fonte da ARH do Tejo disse hoje à Lusa que os fiscais testemunharam a existência de descargas “com pequenos caudais” feitas a partir da central de biomassa da Centroliva e a partir de uma fossa séptica da autarquia, na zona industrial.

No entanto, só os resultados de análises às águas poderão concluir se estas descargas estarão na origem das manchas negras que têm surgido em troços do Rio Tejo desde a última semana.

Segundo com o relatório da ARH do Tejo, foram elaborados “os respectivos autos de notícia” contra a Câmara de Vila Velha de Ródão e a Centroliva, “cujos processos de contra-ordenação irão correr os trâmites legais”.

Durante a mesma acção de fiscalização, foi efectuada uma colheita pontual na empresa Celtejo.

Foram ainda realizadas “colheitas complementares, para avaliação dos parâmetros de óleos e gorduras”, na albufeira do Fratel junto ao cais de Perais, na foz da ribeira do Açafal e no cais do Arneiro, na margem esquerda do rio Tejo.

Fonte da GNR adiantou hoje à agência Lusa que há, pelo menos, duas novas queixas feitas por particulares junto a Vila Velha de Ródão, que “ainda vão levar à recolha de novas amostras nos próximos dias”.

Aquela força de segurança já tinha feito uma recolha de água para análise na terça-feira, aguardando também os resultados.

Essa primeira recolha foi feita depois dos alertas sobre possíveis descargas poluentes devido à alteração da cor da água nalguns troços do Rio Tejo.

Denúncias sucedem-se há meses

O Bloco do Esquerda e o Partido Ecologista “Os Verdes” anunciaram na última segunda-feira ter questionado o Governo sobre a situação. Na interpelação feita ao Governo, os deputados d’ “Os Verdes” referem que a água apresenta uma “cor castanha escura, quase preta”, devido a uma substância que “a olho nu se assemelha a hidrocarbonetos”.

Num relatório de ponto de situação, após nova fiscalização feita na quarta-feira, os serviços de fiscalização da ARH do Tejo asseguram que há uma “melhoria no aspecto das margens e da água”.

Ainda persistem “algumas situações pontuais de água com coloração mais carregada, principalmente em zonas mais paradas, com alguma matéria depositada nas margens e leito”, mas a fiscalização está “em crer” que a situação “tenderá a normalizar-se”.

Aquela entidade revela que “vai manter-se atenta à evolução da situação” em articulação com o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Castelo Branco e de Nisa.

Não é a primeira vez que há denúncias de focos de poluição no leito do Tejo na zona de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco. Já em Setembro do ano passado a Quercus tinha denunciado a ocorrência de descargas poluentes que pintaram as águas de castanho. Em Dezembro, o problema voltou a repetir-se e a motivar uma pergunta do Bloco de Esquerda ao Governo.