A luz incandescente de Maria Teresa Horta

DANIEL ROCHA
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DANIEL ROCHA

Diante da sua nova antologia de poesia erótica, As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta recapitula uma vida inteira de risco e de exposição, de leitura e de escrita: “Para mim, escrever é voo e sobressalto, incêndio e desmesura”

Maria Teresa Horta, poeta, ficcionista, activista, feminista, é uma das mais importantes figuras da literatura portuguesa, conjugando na perfeição a luta feroz pelas causas que defende e o fulgor da escrita. Ao longo de uma vida apaixonante e apaixonada, Maria Teresa Horta conheceu o peso da ditadura e foi penalizada por ser mulher, livre e escritora. Com um vasto e diferenciado corpus literário que inclui poesia e prosa, a autora acaba de publicar uma antologia de poesia erótica intitulada As Palavras do Corpo (Dom Quixote), depois de ter ganho o Prémio D. Dinis - Casa de Mateus 2011 pelo romance histórico As Luzes de Leonor (Dom Quixote).

Fale-me da sua infância.

A minha infância foi arrebatada. Dividida entre a beleza da minha mãe e a inteligência do meu pai; entre o quarto da minha mãe e o escritório do meu pai. Protegida, defendida, compreendida por uma espantosa avó paterna que vivia connosco, a primeira mulher, aliás, que frequentou o liceu em Portugal. Sufragista, frequentava as reuniões feministas da histórica "casa-jardim", onde eu, menina pequena, ia com ela.

A minha infância foi a fundura do poço e o golpe de asa. O conhecimento do anjo e a queda. Uma espécie de história de fadas, com uma deslumbrante mãe abandonatória, um pai distante, gelado e inflexível, e uma madrasta como a da Branca de Neve, que me deu a comer várias maçãs envenenadas. A minha infância foi o começo exaltado e fulgurante da leitura e o início maravilhado do prazer da escrita; com o escritório do meu pai como paraíso proibido, onde me escondia, me perdia a olhar as lombadas dos livros nas prateleiras das estantes a que não chegava. Livros de que a minha avó me lia pedaços, a meu pedido, reclamando: "Mas não é leitura para a tua idade, não vais perceber nada..." E eu acabava sempre por lhe garantir no final: "Não interessa se não percebi, é tão bonito!"

Li, algures, que a Maria Teresa aprendeu a ler sozinha...

Digamos que sim, embora tivesse a ajuda da minha avó, que com uma imensa paciência sempre acedia quando lhe rogava para me ler esta ou aquela palavra, e repetir o nome de cada uma das letras que as compunham. Nessa altura as crianças só iam para a escola aos sete anos; ora, na altura em que isto aconteceu, eu deveria ter por volta dos quatro. Quando, pasmado, o mau pai se apercebeu de que melhor ou pior eu sabia ler, contratou uma professora para pôr ordem naquele meu saber bastante caótico e para me ensinar a escrever. Aí conheci outra das grandes paixões da minha vida: a escrita. E tudo mudou, tomou um rumo diferente e amotinado.

Então não era uma menina "bem", de linhagem aristocrática, numa Lisboa que fora capital de um Império mas que era, na altura, quase provinciana?

Nunca fui uma menina "bem", pelo contrário. Desde os cinco, seis anos, as amigas que eu escolhia, à revelia dos meus pais, eram rapariguinhas da minha idade ou um pouco mais velhas, que moravam em barracas de madeira junto de uma ribeira, nos fundos de uma pequena mata, para além de um muro baixo que às escondidas todos os dias saltávamos, na parte de trás do jardim da casa de Benfica onde morávamos. A primeira aprendizagem do conhecimento da realidade, fi-la em sua companhia, pois elas sabiam da vida aquilo que eu nem sonhava, pelo avesso mesmo do meu imaginário de menina protegida, defendida, já a ser programada para o papel de passividade, de mulher-sombra, de mulher-sopro, de mulher-nada; aniquilamento exigido às mulheres das classes privilegiadas de um Portugal fascista, triste e medíocre. Desde logo, porém, a minha família se apercebeu ter em mãos um grave problema: fazer-me aceitar essa "lavagem ao cérebro", essa programação de feminização de classe; havia a minha desobediência selvagem.

Foi nessa altura que começou a sentir-se "diferente", rebelde?

Comecei por perceber que podia ser considerada diferente ao ouvir várias vezes o meu pai dizer à minha mãe: "Esta rapariga é estranha..." E a minha mãe a emendar: "Não é estranha, é diferente...". A palavra rebelde só apareceu na adolescência, de novo pela boca do meu pai, que um dia me anunciou, deveria eu ter perto de 15 anos: "Já me bastou a tua mãe! Não admito mais mulheres rebeldes na minha casa."

Como era a sua família?

As minhas famílias... Na realidade tive mais do que uma, e sempre as senti, de um modo ou de outro, como sendo ameaçadoras. Os meus pais divorciaram-se tinha eu nove anos, ficando então com as minhas duas irmãs na companhia do nosso pai; mas como na mesma altura a minha avó morreu (até hoje, para mim, uma perda irreparável), acabámos por ir (na companhia do pai...) para junto do nosso avô materno, com quem passámos perto de um ano. Em seguida, o nosso pai alugou uma casa e voltou a casar; a nossa mãe, que entretanto fizera o mesmo, pediu a guarda de nós três, acabando por ser eu, com 11 anos, a ir viver com ela e o meu primeiro padrasto. É uma história comprida que, aliás, não acaba aqui.

A Faculdade de Letras era o destino "normal" das meninas de uma certa burguesia. Nessa altura da sua vida, quais foram as suas maiores influências?

As minhas maiores influências sempre foram e continuam as ser os livros; o pensamento e as palavras, a criatividade, as escritoras e os escritores que fui conhecendo ao longo do tempo. Lembro-me, como se fosse hoje, do efeito exaltante e exultante que teve em mim Le Deuxième Sexe, de Simone de Beauvoir, quando aos 15 anos o li às escondidas, com um dicionário de francês ao lado. Posso dizer, sem exagero, que esta obra mudou a minha vida. O que até então apenas germinava de forma confusa, à medida que lia, ia ficando em mim cada vez mais claro. Muitos anos mais tarde, a leitura da obra de Marguerite Duras levou-me a redescobrir a minha ficção. Conhecê-la, entrevistá-la para a revista Mulheres, de que era chefe de redacção, conviver com ela pessoalmente durante os dias que então passou em Lisboa, fez-me entender, também, que a vida de quem escreve pode ser assumida enquanto vertigem. Quer dizer, entre a queda e a ascese, a perda e o sublime. Foi deste modo que Duras escolheu viver e morrer da sua própria escrita.

Lembra-se quando começou a sua luta política?

Teria perto dos 15 anos, mas parecia mais velha, era uma rapariga ensimesmada e tímida. Um dia, à saída do liceu Filipa de Lencastre, fui abordada por um rapaz muito bonito, que em vez de querer ajudar-me a transportar os livros e os cadernos, como na altura faziam os que nos esperavam em grupos diante do liceu, seguiu-me em silêncio, só se me dirigindo quando, sobressaltada e imprudente, enveredei pelo labirinto de pequenas e solitárias ruas do Bairro Social do Arco do Cego. Dizendo-me num fio de voz e olhos fugidios: "Informaram-nos que está disposta a trabalhar connosco. Distribua estes folhetos, e cuide em não ser apanhada". Depois de me ter dado o maço de papéis que tirara do próprio bolso, e ignorando a minha mudez estupefacta, afastou-se depressa, num passo largo, altivo. E eu fiquei ali, atordoada, de respiração suspensa, até o ver desaparecer numa esquina, sem se virar para trás uma única vez.

Percebeu o que lhe estava a acontecer?

Não, não entendi nada e ainda hoje estou certa ter havido um engano, um erro de contacto. Mas, mal li um dos papéis que me tinham sido entregues, percebi que se tratava de um daqueles panfletos revolucionários contra os quais tanto ouvia bramar em casa, pois o meu padrasto, que ocupava o cargo de director do então Instituto de Assistência aos Inválidos, era um bom padrasto mas um fascista convicto e assumido. Disfarcei os folhetos o melhor que pude até entrar no meu quarto onde, a salvo, os escondi no fundo de uma gaveta. Naquela noite não dormi nada, sem saber como haveria de distribuir os papéis clandestinos. Sentia-me, simultaneamente, cheia de medo e entusiasmada, o coração sobressaltado no peito.

E distribuiu esses panfletos?

Claro! Distribuí-os nos prédios da Avenida de Roma, da Praça do Areeiro, da Praça de Londres. E o método era sempre o mesmo: naqueles em que não havia porteiro, tocava para o último andar e subia, pé ante pé, até ao primeiro andar, onde, caso não escutasse barulho, fazia deslizar os folhetos por baixo das portas, descendo em seguida a correr até chegar à rua. Depois de os ter distribuído todos, ficava à espera que aquele rapaz pálido e triste, pálido e magro, cabelos negros e olhos azul-cobalto, mistura perfeita de Tristão e de Orfeu, com quem sonhava noite após noite até de madrugada, me tornasse a contactar, o que nunca mais aconteceu.

E em seguida?

Em seguida veio o cineclubismo, arrastado pelo cinema que, desde menina, tanto me fascina; continuo absolutamente apaixonada.

Esteve à frente de um cineclube. Como foi essa sua experiência, ainda na ditadura?

Foi empolgante, foi luta e criatividade, foi entusiasmante.

Quando cheguei ao ABC Cineclube tinha menos de 18 anos, idade mínima nessa altura requerida em Portugal para se poder ser sócio de um cineclube. Abriu-se então um mundo novo diante dos meus olhos. Saía das acesas discussões, nas quais participava sempre, reforçada pelas posições que defendia. Na altura, os cineclubes eram centros de luta e resistência ao fascismo, foi no ABC que eu me tornei na mulher política de esquerda que continuo a ser hoje. Também fiz grandes amigos que mantenho até este momento, como o Eduardo Serra, o Manuel Neves, o Henrique Espírito Santo. Orgulho-me, portanto, de ser a primeira mulher dirigente do movimento cineclubista português. O que na altura enfureceu particularmente o Secretário Nacional da Informação Moreira Baptista, que em jeito de raiva mal contida, lamentou: "Pobre país este, em que as mulheres já são dirigentes de cineclubes!".

Como se sentia uma jovem bela e inteligente no ambiente jornalístico da altura, essencialmente masculino? Era "protegida", adulada, hostilizada ou tratada como uma igual?

Nunca fui protegida em lugar algum, neste caso em jornal nenhum. Senti-me, isso sim, marginalizada, olhada ora com condescendência ora com desconfiança. Não nos podemos esquecer que, mesmo já em 1968, quando o jornal A Capital começou a ser publicado, as poucas jornalistas contratadas pelo seu director Norberto Lopes e pelo subdirector Mário Neves, entre as quais eu me incluía, não tinham lugar na redacção. As secretárias onde trabalhávamos encontravam-se numa outra divisão. E quando perguntei ao chefe de redacção Maurício de Oliveira o motivo desses afastamento, dessa discriminação, ele explicou-me que os jornalistas homens falavam mal, no sentido de usarem muitos palavrões, e isso iria ofender as jornalistas presentes. E nada do que eu disse refutando esse argumento o convenceu do contrário.

Ouvi-a contar que a sua mãe sabia quão rebelde era a Teresa e que aconselhava a que não a proibissem de nada, uma vez que a Teresa tinha logo o ímpeto de fazer o "proibido". Pode dar exemplos?

Posso dar-lhe como exemplo o que fez a minha mãe tentar convencer-me, através da habilidade, a fazer aquilo que ela pretendia de mim, em vez de utilizar a proibição pura e simples. Devia ter dois anos, era Verão e estávamos a caminho de casa vindas da praia ali a dois passos, eu ia a saltitar descalça, adorando sentir a brasa do calor na planta dos pés nus. Foi quando a minha mãe me estendeu as sandálias azuis com tiras de pele macia e me mandou calçá-las. Olhei-a nos seus grandes olhos azuis inundados de luz e limitei-me a abanar a cabeça, continuando ora no bico dos pés, ora numa corrida curta que acabava rodopiando num salto. Implacável, ela repetiu a ordem e eu a desobedecer-lhe; furiosa tentou agarrar-me por um braço, mas eu desenvencilhei-me dos seus dedos macios e fugi com ela no meu encalço, e deste modo fomos até casa onde entrei como uma flecha pela porta, que a minha avó nos deixara entreaberta. E assim correndo atravessámos corredor, quartos e salas de ponta a ponta, eu a escapar-lhe sem olhar para trás, magrinha e ágil, e a minha mãe a perseguir-me com o seu canto de sereia zangada. Até que chegou o momento em que me vi encurralada, entre ela a aproximar-se veloz e a parede branca e lisa à minha frente; então, para seu grande espanto e temor, de pura raiva desobediente, comecei a trepar como um pequeno animal, rastejando, a querer escapar para chegar ao cimo. Ma, entretanto ouvi-a parar, e imobilizei-me, também, a sentir-lhe o cheiro quente e perfumado do seu corpo, a sobrepor-se ao cheiro da cal da parede, e ao odor a sal do mar dos meus braços. Até que a ouvi dizer quase em surdina:

- Desce daí Teresinha, como já estamos em casa não precisas mais de calçar as sandálias.

A sua mãe tem uma grande importância na sua vida.

Na minha vida e na minha criatividade, pois ela é um dos seus mais importantes veios, personagem-actriz da vida e da escrita: minha mãe, e mãe-de-água da minha poesia. Figura idealizada e musa, atravessa toda a minha obra, cintilando de luz irisada no meu livro de poesia Minha Mãe Meu Amor.

Quando é que a Maria Teresa começou a escrever poesia?

Na minha adolescência, por volta dos 14 anos. Leitora voraz, lia poesia como se quisesse fusionar-me nela. Lembro-me de ler assim Camões, Antero de Quental, António Nobre, Florbela. Cesário Verde foi a leitura obsessiva dos meus 14 anos. Logo depois vieram Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro...

De que forma "vive" e escreve poesia e prosa?

Com um intenso prazer que o corpo compartilha. Eu sou a minha poesia, ela inventa-me à medida que eu a crio, a vivo e me vivo através dela. Para mim, escrever é voo e sobressalto, incêndio e desmesura. Mas não menos busca e rigor, trabalho de linguagem, no desejo de ir mais longe na busca da correnteza do texto, do cerne do imaginário.

Para si há diferenças entre escrever poesia e prosa?

Há diferenças, claro, a prosa requer uma disciplina e uma perseverança que a poesia dispensa, embora, quando escrevo ficção, a poetisa que sou esteja sempre presente, ousando o indizível, demorando o impensável, despertando a beleza, abrindo trilhos, descobrindo atalhos de sombras e luzeiros; no começo de tudo, a atadura das águas. Digamos que ela desperta a cintilação no que está a ser contado pela romancista, coloca luz na sua-minha escuridade, faz voar o seu-meu imaginário. E dizer isto acorda em mim uma súbita e dilacerante saudade, dos últimos anos da escrita do meu romance As Luzes de Leonor.

Como chegou a esse vulto extraordinário que foi a Marquesa de Alorna?

Leonor de Almeida, Marquesa de Alorna, é minha quinta avó por parte da minha mãe, que me falou dela era eu muito menina ainda, dando-me a ver um livro que nunca saía de cima da pequena mesa da sua salinha particular, um volume encadernado, com o título A Marquesa D'Alorna, do Marquês D'Ávila e Bolama, contendo várias reproduções, entre as quais um retrato de Leonor pintado na Áustria. Como na biblioteca do meu pai não havia a presença de uma única escritora, esta minha belíssima avó poetisa apareceu-me como uma promessa, o garante da criatividade feminina. Despertando em mim, claro, a maior curiosidade, que se mantém insaciada.

Como conviveu com ela? E diga, por favor, se acha que Leonor de Almeida era "subversiva", como a própria Maria Teresa?

Ao longo dos 13 anos e meio da investigação e da escrita de As Luzes de Leonor, a nossa convivência constante foi empolgante, desafiadora e por vezes até perigosa porque fusional: eu procurava-a, perseguia-a, ia no seu encalço, lia os seus poemas, as suas cartas, os seus diários e cadernos. Escutava as suas vozes. Ia em busca das suas fundações e raízes que, afinal, são igualmente as minhas. E se algumas vezes, diante de atitudes, decisões e afirmações suas, me zanguei com ela, acabava sempre por entendê-la ao colocá-la no contexto da época em que viveu. Hoje penso que Leonor de Almeida foi, na realidade, uma mulher muito "subversiva" como diz. Por isso continuamos a vê-la como uma tempestade de luz. Certamente nunca conseguirei tanto.

Acabou de publicar uma antologia de poesia erótica,

As Palavras do Corpo

. O que é para si o sexo na poesia?

Tem a ver com liberdade revolucionária, em termos sociais e políticos, sim, de mudança de mentalidades. Tem a ver com a escrita e também com o corpo, o meu corpo e o corpo do outro/desejado, mas também com o corpo poético. Tem a ver com o corpo feminino das palavras, com o corpo dos meus versos. Mas, sobretudo, tem a ver com sexualidade-prazer e deleite, a que as mulheres e os homens têm direito, livremente assumido, desejo e gozo. Repito: tem a ver com liberdade-livre.

Foi essa luta pela mudança de mentalidades, pela liberdade, que a levou a escrever, com a Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, as

Novas Cartas Portuguesas

?

Antes disso, e com esse mesmo espírito, escrevi Minha Senhora De Mim. O livro foi apreendido pela PIDE e a Snu Abecassis chamada ao secretário nacional da Informação, Moreira Baptista, que a ameaçou de lhe fechar a editora caso me voltasse a publicar. "Seja que livro for?", indagou ela admirada, e ele explicou com uma metáfora elucidativa: "Se o livro se chamar A História Da Carochinha e estiver assinado pela Maria Teresa Horta, eu fecho-lhe a casa". Por essa altura, a minha vida já tinha virado dos pés à cabeça: fui ameaçada e espancada uma noite, na rua, por três homens que, enquanto me batiam, iam dizendo: "isto é para aprenderes a não escrever como escreves". Havia telefonemas anónimos, cartas e bilhetes não assinados, insultos, convites canalhas, insinuações obscenas.

Com a publicação de

Minha Senhora de Mim

- e culminando no processo intentado contra a publicação de

Novas Cartas Portuguesas

- a Maria Teresa foi perseguida pela polícia política e vilipendiada por certas facções. Como conviveu com esse pesadelo?

Foi bastante difícil e mesmo assustador, mas nem por um só momento me arrependi de ter escrito e publicado Minha Senhora de Mim, nem de ter participado no fascinante e empolgante projecto literário Novas Cartas Portuguesas. Para mim, escrever é entrega e exposição. Aliás, escrever foi e será sempre risco.