Álvaro Santos Pereira diz que o momento é de agir

Foto
Santos Pereira esteve duas horas reunido com Passos

O ministro discursou no jantar-debate da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Comunicações, em Lisboa, algumas horas depois de se ter reunido com o primeiro-ministro.

A reunião de Santos Pereira com Passos Coelho não estava anunciada oficialmente e surgiu depois da polémica que durou todo último fim-de-semana sobre se seria Santos Pereira ou o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, quem ficaria com a gestão dos fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

“Tanto eu como os meus secretários de Estado estamos a cumprir, não estamos a anunciar”, afirmou Santos Pereira durante o jantar-debate, numa intervenção em que elencou várias medidas tomadas pelo seu ministério no quadro do Memorando de Entendimento.

“Num momento em que todos somos postos à prova”, é o momento de agir para tornar a economia mais competitiva. E agir, considerou, “não é sinónimo de anúncios espampanantes e ostensivas actuações mediáticas”. Até Dezembro, “uma em cada três [medidas da troika] foram postas em prática pelas nossas equipas”.

Santos Pereira, que à entrada e à saída do jantar não comentou o teor da reunião com Passos, referiu-se durante a sua intervenção à gestão do QREN, mas apenas para sublinhar que “o que importa é pôr os fundos comunitários” no investimento privado. Em nenhum momento se referiu em concreto às notícias dos últimos dias, tendo falado da gestão dos fundos apenas no quadro da reestruturação do QREN.

Passos Coelho afirmou no domingo que Vítor Gaspar terá “uma palavra” decisiva na gestão, embora a coordenação do QREN pertença a Santos Pereira. Já nesta segunda-feira, o jornal i noticiava que o ministro da Economia ameaçou, em Conselho de Ministros, demitir-se caso visse retirado à sua tutela o poder sobre a gestão do QREN.

Centrando o discurso nas reformas do Ministério da Economia nos últimos meses, Santos Pereira insistiu que o Governo avançará com as medidas acordadas com a troika “sem ceder a cortinas de fumo” dos partidos da oposição, nem aos interesses instalados. “Fazemos questão de cumprir à letra esse Memorando de Entendimento”, reforçou, lembrando que Portugal “tudo fará” para ser “um caso de sucesso”.

O executivo “está absolutamente empenhado em combater o principal problema da economia portuguesa, que é o défice externo”. Para isso, defendeu, Portugal precisa de aumentar a capacidade exportadora – aquilo que designou o “verdadeiro desígnio nacional” –, diminuindo ao mesmo tempo as importações, promovendo a poupança interna e tornando as empresas “cada vez mais competitivas”.

Notícia e título actualizados às 23h55

: Acrescenta declarações do discurso de Álvaro Santos Pereira