Entrevista ao Die Welt

Presidente do Eurogrupo junta-se aos alemães na defesa de um comissário europeu para a Grécia

Juncker defende que a sua proposta é de um comissário para a reconstrução da Grécia e não para controlar as políticas orçamentais
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Juncker defende que a sua proposta é de um comissário para a reconstrução da Grécia e não para controlar as políticas orçamentais Thierry Roge/Reuters

O primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, defende a criação de um comissário europeu que ficaria responsável apenas pela Grécia.

Numa entrevista publicada hoje no jornal alemão Diew Welt, Juncker acusa o governo de Atenas de até agora “não ter conseguido” reformar a economia de acordo com os requisitos europeus, e diz que por isso essa responsabilidade cabe à União Europeia.

“Apoio fortemente a ideia de dedicar um comissário da União Europeia para desenvolver a estrutura económica grega”, afirma na mesma entrevista, citada pelas agências.

A Alemanha já tinha feito uma proposta para a criação de um comissário que supervisionasse as reformas da economia grega, uma ideia desde logo rejeitada por outros Estados-membros, que acusaram essa medida de violar a soberania de Atenas.

No entanto, de acordo com o jornal, Juncker rejeitou qualquer comparação entre a sua proposta e a ideia lançada por Berlim. . “Não seria um comissário encarregado da economia orçamental, como já foi proposto, mas um comissário responsável pela reconstrução”, disse.

Juncker afirma também, na mesma entrevista, que está optimista sobre a acumulação dos dois fundos europeus: o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES). O presidente do Eurogrupo tem sido um dos defensores do reforço das ajudas aos países em dificuldades na zona euro.

“Vamos decidir até ao final de Março se deixamos funcionar em paralelo o MES e o FESF. Teríamos ainda 750 mil milhões de euros à nossa disposição”, disse ao jornal Die Welt. Deste montante, 500 mil milhões serão para o MES, que deverá começar a funcionar em Julho, e o restante irá para o FESF.

O assunto deveria ter sido levantado numa cimeira europeia esta semana, mas a Alemanha insistiu num prorrogamento dos prazos – uma ideia com a qual Juncker parece concordar.

“Precisamos de esperar para ver como é que decorre a participação dos credores privados na reestruturação da dívida grega. Vamos saber mais a 10 de Março”, afirmou, acrescentando que nessa data os líderes da União Europeia já se poderão dedicar “à questão do aumento do MES”.

“Precisamos de tomar uma decisão logo que seja possível, mas sem nos precipitarmos”, sublinhou o responsável europeu. A Alemanha opôs-se durante muito tempo ao reforço das ajudas, mas actualmente parece estar menos inflexível.

Notícia actualizada às 10h02

Acrescentaram-se as declarações de Juncker relativas ao reforçodas ajudas europeias

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