Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas

Passos Coelho considera que sector exportador pode já ter escapado à crise

Pedro Passos Coelho diz que as empresas exportadoras parecem aguardar que resto da economia saia da crise
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Pedro Passos Coelho diz que as empresas exportadoras parecem aguardar que resto da economia saia da crise Daniel Rocha

O primeiro-ministro elogiou hoje as empresas portuguesas exportadoras e considerou que com base nos dados de 2011, poderia dizer-se que esse sector “já ultrapassou a crise e aguarda pacientemente pelo resto da economia”.

Durante uma intervenção na abertura do 17.º Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas (SISAB), no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Pedro Passos Coelho apontou os exportadores portugueses como a alavanca para a recuperação do país.

“Contamos convosco. É de vós que depende o nosso sucesso”, declarou.

Apesar dos elogios, Passos Coelho desafiou os empresários portugueses a juntarem-se para alcançarem resultados ainda melhores, considerando que “os produtores portugueses terão muito a ganhar se souberem trabalhar em conjunto para entrar em novos mercados de exportação”.

No seu discurso, o primeiro-ministro defendeu que a adesão ao euro favoreceu a economia portuguesa: “A união monetária, longe de nos colocar constrangimentos de competitividade, tem sido um desafio e uma oportunidade a que muitos em Portugal, a começar pelos nossos exportadores, têm sabido responder”.

Passos Coelho referiu depois que “as exportações de bens e serviços aumentaram 13,3 por cento no ano passado face a 2010, uma das taxas de crescimento mais elevadas da zona euro” e que “o volume das exportações em 2011 excedeu já significativamente o volume registado em 2008, antes da actual crise financeira”.

“Poderíamos ser inclinados a dizer que o nosso sector exportador já ultrapassou a crise e aguarda pacientemente o resto da nossa economia”, concluiu.

Segundo o primeiro-ministro, isso deve-se à rapidez com que as empresas portuguesas se deslocaram para “sectores com melhores oportunidades”.

Passos Coelho considerou, por outro lado, que Portugal tem hoje “um tecido empresarial diversificado, com conhecimentos adquiridos em sectores muito diferentes, povoado por uma nova geração com outras habilitações escolares e mais familiarizada com o mundo”, o que é “um ponto de partida excelente para desenvolver uma nova cultura económica de flexibilidade, versatilidade e, sobretudo, rapidez”.

De acordo com o primeiro-ministro, ao Governo cabe “libertar e aproveitar a iniciativa” das empresas exportadoras “através de um conjunto cuidadosamente desenhado de reformas estruturais capazes de eliminar importantes bloqueios”.

A este propósito, Passos Coelho destacou “a importância da concorrência”, alegando que a nova lei da concorrência, aprovada na generalidade no Parlamento, vai levar à “eliminação de núcleos injustificados de privilégio e de rendas económicas” que “não são mais do que pequenos ou grandes monopólios”.