Antonis Samaras

Líder conservador diz que a Grécia só cumprirá metas se conseguir crescer

Antonis Samaras subscreveu o plano de novas medidas de austeridade
Foto
Antonis Samaras subscreveu o plano de novas medidas de austeridade Foto: Louisa Gouliamaki/AFP

O líder da Nova Democracia na Grécia, um dos partidos que suportam a coligação de Governo, considerou “positivo” o acordo dos ministros das Finanças europeus sobre o segundo resgate financeiro do país, mas advertiu que as metas orçamentais só serão alcançadas se houver crescimento económico.

“Sem uma recuperação e crescimento da economia… nem mesmo as metas orçamentais imediatas poderão ser alcançadas, nem a dívida poderá tornar-se sustentável no longo prazo”, afirmou, citado pela Reuters, Antonis Samaras, que subscrevera o compromisso da coligação governamental que a zona euro exigiu à Grécia para aprovar o segundo pacote financeiro.

O líder da Nova Democracia, o partido que parte como favorito para as eleições legislativas antecipadas, sublinhou que está afastado o cenário de incumprimento, ou seja, de bancarrota, depois de os ministros das Finanças europeus terem chegado a acordo sobre um segundo pacote financeiro, de 130 mil milhões de euros.

Numa visita ao Chipre, Samaras afirmou que o acordo abre caminho às legislativas e propôs que as eleições se realizem a 8 de Abril. Uma sondagem da Mega TV citada hoje pelo jornal Kathimerini aponta para 19,4% da votação na Nova Democracia e de 13,1% nos socialistas do PASOK.

O plano acordado pela coligação e que na última madrugada mereceu o aval dos ministros das Finanças europeus pressupõe, do lado do Governo grego, uma nova vaga de austeridade e um reforço das reformas económicas e, do lado europeu e dos credores, um esforço adicional do sector privado e dos bancos centrais nacionais.

Também para o presidente da Comissão Europeia, a conclusão da reunião em Bruxelas “fecha a porta ao cenário de falta de pagamento, com todas as graves consequências sociais e económicas”.

Barroso considerou o acordo “um passo em frente essencial” para que a Grécia consolide a sua economia e seja capaz de “criar empregos” e de crescer.

Para receber o segundo pacote financeiro, que evita a entrada do país em incumprimento financeiro, o Governo grego terá em Atenas uma missão permanente da Comissão Europeia para acompanhar a implementação do programa de ajustamento.

“Não há alternativa à consolidação orçamental e às reformas estruturais na Grécia. Penso que esta mensagem deve ser clara. E a melhor maneira de demonstrar a nossa solidariedade à Grécia é dizer a verdade”, sublinhou ainda Barroso, citado pela AFP.

O segundo plano de resgate compreende um novo envelope financeiro, a somar aos 110 mil milhões de euros do primeiro pacote acordado em Maio de 2010, e um perdão parcial da dívida grega que permita uma redução para 120,5% do PIB em 2020 (actualmente, o nível da dívida pública é de 160%).

Para ser concretizado este objectivo, os credores privados do Estado grego (bancos, fundos de investimento e outras instituições financeiras) acordaram um perdão de 53,5% dos títulos de dívida, num processo de troca por novos juros de 2% até 2014, 3% entre 2015 e 2020 e 4,3 % até ao fim do prazo previsto de 30 anos.

Este perdão (no valor de 107 mil milhões de euros) será ainda acompanhado de uma redução retroactiva das taxas de juro dos empréstimos a Atenas por parte do sector público. A taxa máxima passa a ser de 1,5% e vigorará durante o período do programa de ajustamento.