CDS pergunta se solução são “edifícios a arder”

Bloco de Esquerda acusa Governo de “ajustar contas” com “conquistas de Abril”

Nuno Magalhães, líder da bancada do CDS
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Nuno Magalhães, líder da bancada do CDS Foto: Nuno Ferreira Santos

O BE acusou hoje o Governo de “provocar o confronto” e querer “ajustar contas com as conquistas de Abril”, enquanto o CDS questionou os bloquistas sobre se a solução são “edifícios a arder”, como na Grécia.

“O Governo está provocar o confronto, o Governo quer ajustar as contas com as conquistas de Abril, o Governo quer ajustar as contas com uma geração, o Governo claramente está numa posição revanchista em relação às pessoas”, afirmou Mariana Aiveca, referindo-se à mobilidade dos funcionários públicos.

Durante o período de declarações políticas no plenário da Assembleia da República, a deputada do Bloco defendeu que àquela posição do Executivo, “naturalmente, que terá que haver uma grande resposta popular”.

“Os trabalhadores da administração pública, todos eles, de todas as cores, de todas as bandeiras, responderão, com certeza, a este ataque”, afirmou.

O líder da bancada do CDS, Nuno Magalhães, questionou Mariana Aiveca sobre a “resposta da rua”. “A senhora deputada fala na reposta da rua, qual é a resposta da rua, senhora deputada?”

“São edifícios a arder, é o Parlamento cercado, são carros vandalizados? O que é que a senhora deputada quer dizer concretamente com a questão da rua e a ameaça da rua?”, questionou.

Nuno Magalhães considerou que a discussão sobre a mobilidade dos funcionários públicos tem demonstrado que, “para o Bloco de Esquerda e para outras bancadas, o facto de o Estado servir os cidadãos, servir o bem público, é um facto acessório”.

“O que interessa, de facto, para o Bloco de Esquerda, é continuar com o nicho de mercado, é continuar com um discurso de defesa a qualquer preço, em qualquer circunstância, daquilo que considera ser seu”, afirmou.

Também o deputado do PSD Duarte Pacheco tinha argumentado que “a administração pública não existe para auto-satisfação, nem existe só para sobreviver ou para o gáudio de alguns partidos que pensam que têm aí os seus nichos de mercado”.

A administração pública tem que se adaptar, tem que viver de acordo com os tempos quer estamos a viver, de modo a prestar melhores serviços aos cidadãos”, defendeu, qualificando de “chocante” a intervenção do Bloco “pelo modo como tratou os portugueses em geral”.

Nuno Magalhães recusou ainda que, como Mariana Aiveca afirmou, tenha “fugido a boca para a verdade” ao deputado do CDS João Almeida na TSF, e tenha defendido o despedimento de funcionários públicos que não aceitem a mobilidade.

“Rescisão por mútuo acordo quer dizer justamente isso, mútuo e acordo, acordo entre o funcionário e o Estado”, disse, referindo-se a um programa de rescisões por mútuo acordo que os democratas-cristãos defendem para a administração pública.

Pelo PS, Miguel Laranjeiro considerou que “há um ataque deste Governo, um novo ataque deste Governo aos trabalhadores da Função Pública”, recusando a “mobilidade a qualquer preço”.

O deputado comunista Jorge Machado defendeu que a “mobilidade forçada” visa a “destruição de serviços públicos”, porque “na escola, faltam funcionários, nos tribunais, faltam funcionários, na saúde, faltam funcionários, nas finanças, na polícia”.

Heloísa Apolónia, de “Os Verdes”, acusou o Governo de promover a “total desestruturação familiar” com a proposta de mobilidade dos funcionários e de apenas “construir desemprego no país”.