Liga dos Campeões

Além do campeão russo, o frio é o grande adversário do Benfica

Temperaturas negativas esperam o Benfica à hora do jogo
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Temperaturas negativas esperam o Benfica à hora do jogo Foto: Kirill Kudryavt/AFP

É possível jogar uma partida de futebol com 9 graus negativos? "É, mas é um disparate". Esta é a temperatura prevista para o encontro do Benfica com o Zenit desta tarde (17 horas em Lisboa, 21h em São Petersburgo). A resposta é do fisiologista José Soares. Além do campeão russo, o frio rigoroso é o outro adversário dos benfiquistas na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Jorge Jesus faz o seu trabalho. Que é tentar desvalorizar o impacto que o tempo e as condições do relvado poderão ter no jogo da sua equipa e nos seus jogadores. O treinador dos "encarnados" falou depois do treino de adaptação ao Estádio Petrovsky, onde a relva parecia não ter o melhor aspecto.

"As condições? São as que estão, temos de jogar. O Benfica vem com confiança num bom resultado e o relvado é igual para os dois. Não é o que estamos habituados, mas estamos mentalizados para as condições que houver: no relvado, mas também para a temperatura", disse.

Jesus tem de ter este discurso para moralizar as tropas. "Jogamos com sentido único de vencer, seja onde for", vincou. Mas pode não ser bem assim. "É um disparate jogar com menos 15 ou menos 20 graus, são temperaturas demasiado baixas para se praticar futebol", diz José Soares. E explica: "O organismo tem de gastar energia para duas coisas: praticar a modalidade e ainda outro esforço adicional que é manter a temperatura do corpo estável". "É um handicap para o Benfica, pois quem está habituado tem mecanismos de compensação muito mais aperfeiçoados", conclui o especialista.

A UEFA não recomenda a realização de jogos com temperaturas abaixo dos 15 graus negativos, mas não há registo de partidas canceladas apenas por causa do frio - a excepção surge quando há neve. E esta tarde não se espera que neve, ou seja, quase de certeza que a partida se irá realizar, o que quer dizer que as preocupações de Jesus aumentam.

"Há outros aspectos a ter em conta", continua o fisiologista. "O risco de lesões aumenta à medida que a temperatura diminui", explica, aludindo à necessidade de gastar mais energias para manter o corpo a uma temperatura normal. O aquecimento deve ser curto mas intenso, para que, quando os jogadores vierem do balneário, consigam manter a temperatura. Os suplentes no banco também terão de ter cuidados. E cobertores eléctricos.

O interesse pelo Benfica

Jorge Jesus foi questionado sobre o trabalho de casa que terá feito na análise ao adversário. Isto por comparação com o treinador italiano do Zenit, Luciano Spaletti, que disse ter visto muitos jogos do Benfica. O treinador dos "encarnados" lembrou que os russos têm estado parados - devido à pausa de Inverno -, mas que as tecnologias ajudam.

"Têm um excelente treinador, só aqui se percebe a forma apaixonada como se interessou pelo Benfica. Tentei o mesmo, com o senão de a equipa estar parada há algum tempo, mas estamos identificados com a equipa do Zenit", referiu o português.

A formação russa não poderá contar com alguns habituais titulares (Danny, Bukharov ou Malafeev), elementos que Jesus reconheceu tratar-se de "primeiras escolhas", lembrando, por outro lado, que o Benfica também não terá disponível o espanhol Javi García, lesionado.

O técnico da Luz foi também convidado a comentar a saída de Domingos Paciência do Sporting, referindo que se trata de "um excelente treinador" e que estava ainda em fase de adaptação à grandeza do clube. "Não me diz respeito, os dirigentes do Sporting acharam que era o melhor. Na minha opinião, o Domingos é um excelente treinador, estava a adaptar-se à realidade e pressão do que é um Benfica, Sporting ou FC Porto."

A partir das 17h, siga o relato ao minuto deste jogo no site do PÚBLICO

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