Confrontos nas ruas

Grécia aprova mais austeridade em noite de violência em Atenas

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Após um dia de violentos confrontos à porta do Parlamento de Atenas que se prolongaram até ao início da noite, os deputados gregos aprovaram um novo plano de austeridade. Muito contestado nas ruas, o Governo da coligação deu à zona euro a garantia que os parceiros europeus pediam para accionar um segundo pacote financeiro. Internamente, contudo, os partidos estão longe de um consenso. Dezenas de socialistas e conservadores desrespeitaram a disciplina de voto e serão expulsos da coligação.

Antes de a votação terminar, o Governo de coligação liderado por Lucas Papademos já tinha conseguido fazer passar um novo pacote de austeridade, ao alcançar minutos antes da 1h locais (23h em Portugal Continental) o número de votos necessários (151) para a aprovação do pacote de reformas económicas e de poupanças no valor de 3300 milhões de euros. No final, feitas as contas, 199 deputados votaram a favor e 74 contra.

Dezenas de deputados dos partidos socialista e conservador, que suportam o Executivo de unidade nacional, desrespeitaram a disciplina de voto e votaram contra. A esses, os partidos já anunciaram a expulsão: 20 dos 153 socialistas do PASOK e 21 dos 83 da Nova Democracia.

No hemiciclo, o primeiro-ministro condenou com veemência a violência que durante a tarde e o início da noite tomou conta do centro da capital. A polícia e grupos de manifestantes envolveram-se em confrontos, num cenário de batalha campal, e edifícios ficaram em chamas. Em Atenas estiveram, segundo as contas da polícia, 80 mil pessoas em protesto a partir do iníco da tarde e outras 20 mil em Salónica.

“A violência e as destruições não têm lugar em democracia”, afirmou Papademos, lembrando que, no Parlamento, os deputados dariam o seu voto de responsabilidade para com a Europa e a moeda única. Seria a definição da “escolha mais importante” para o futuro do país, sustentou.

Os conservadores e socialistas da coligação de Governo falaram em cenários catastrofistas em caso de não aprovação das medidas de austeridade – o mesmo tinham feito os membros do Executivo nos últimos dias.

Quando em Outubro, o líder dos socialistas, Georgios Papandreou, estava no lugar de primeiro-ministro a pedir ao Parlamento que fizesse passar um pacote de austeridade, o Executivo tinha uma maioria frágil, com menos garantias de conseguir aprovar o projecto-lei das reformas económicas.

Neste domingo, o partido da coligação de Papademos contava no hemiciclo com uma maioria confortável. Mas, mesmo assim, o líder do PASOK acompanhou as palavras de Papademos e fez um apelo à unidade, insistindo que o pacote de medidas é “a única esperança do país”.

Enquanto os deputados debatiam as medidas de reforma económica e de poupança no valor de 3300 milhões de euros que a troika quer ver aplicadas este ano, as principais artérias de Atenas transformaram-se num cenário de batalha campal. Cinemas históricos, cafés e lojas ficaram em chamas. E nas ruas próximas do Parlamento a polícia e grupos de manifestantes envolviam em confrontos violentos.

As autoridades contabilizaram 80 mil pessoas nos protestos da capital. À ofensiva de grupos de manifestantes, a polícia respondeu com uma carga policial, lançando gás lacrimogéneo. Projécteis foram lançados contra a polícia e edifícios, enquanto manifestantes arremessavam pedras em direcção às forças de segurança.

Foi o dia em que se registou maior violência nas ruas desde terça-feira, o primeiro de três dias de greves e manifestações na última semana.

A Grécia, que actualmente está a receber um empréstimo externo de 110 mil milhões de euros suportado pela União Europeia e o FMI, só terá luz verde da zona euro para continuar a receber financiamento externo e ver libertado o segundo resgate financeiro se fizesse aprovar o plano. Essa é a contrapartida dos parceiros europeus, que deverão agora avaliar se têm as garantias necessárias para avançar com o pacote de 130 mil milhões euros.

Mas em jogo estão também os encargos financeiros que a Grécia tem de garantir no próximo mês – 14,5 mil milhões de euros em empréstimos que o Estado terá de pagar até 20 de Março. Isto numa altura em que a Grécia está totalmente dependente do financiamento externo para assegurar os compromissos financeiros.

Notícia actualizada às 00h15 de 13 de Fevereiro