Aumento de 0,80 euros por dia no subsídio de alimentação

Sindicatos do calçado reclamam aumento salarial de 9,6%

Indústria do calçado emprega 32.738 pessoas em Portugal
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Indústria do calçado emprega 32.738 pessoas em Portugal Foto: Paulo Pimenta

A Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores do Calçado (FESETE) propôs um aumento salarial de 9,6% para os trabalhadores do sector em 2012, o que os patrões consideram “um ponto de partida muito desfasado da realidade”.

O coordenador da FESETE, Manuel Freitas, considerou que o aumento salarial de 9,6% não é exagerado tendo em conta que os trabalhadores da indústria do calçado têm remunerações “muito baixas”, que “não descolam do salário mínimo nacional”.

“Estamos a reivindicar um aumento de 0,80 euros por dia no subsídio de alimentação, para chegar aos três euros, e um aumento nos salários entre os 6 e os 7%, que tem por base a inflação de 3,7% em 2011”, explicou o sindicalista, que espera iniciar em breve as negociações com os patrões.

Segundo a FESETE, “os valores propostos para discussão visam repor o poder de compra dos trabalhadores e mais justiça na distribuição da riqueza produzida no sector, que tem tido um acentuado desenvolvimento para o qual, como é evidente, contribuem também os trabalhadores”.

Em declarações à Lusa, os patrões consideram que a proposta da FESETE “torna muito difícil uma negociação” por ter “um ponto de partida desfasado da realidade”.

“Estamos disponíveis para negociar, mas vai ser uma batalha muito grande”, disse Paulo Gonçalves, porta-voz da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado (APICCAPS).

Há um ano, patrões e sindicatos chegaram a acordo sobre a aplicação de novas tabelas salariais para 2011, com um aumento médio de dois por cento, variando as remunerações da fileira entre os 388 euros, auferidos pelos praticantes, e os 932 euros, valor pago aos engenheiros com mais de três anos, que, com a reivindicação da FESETE, passariam para 420 e 985 respectivamente.

A indústria portuguesa de calçado contabiliza 1.354 empresas, emprega 32.738 pessoas e produz anualmente cerca de 62 milhões pares de sapatos, sendo mais 95% são exportados para 132 países.