Nobel da Economia: Portugal ou Grécia podem querer sair do euro e a UE tem de se preparar

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O Parlamento Europeu emitirá o voto formal sobre o quadro plurianual a 19 de Novembro Yves Herman/Reuters

Michael Spence, que comentava na televisão Bloomberg a crise da zona euro, mostrou-se, no entanto, optimista quanto à resolução dos problemas das dívidas soberanas na Europa.

Passando em revista os últimos acontecimentos de crise na Europa e o que se espera das lideranças europeias para 2012, o economista considerou que Espanha e Itália, a Alemanha ou o BCE terão de “fazer o seu trabalho” para superar a crise. Mas, frisou, isso abarca estar preparado “para a eventualidade de, a determinado momento, a Grécia ou Portugal decidirem que é do seu interesse [abandonar o euro]”.

Quando, numa entrevista recente, o primeiro-ministro português foi questionado sobre a eventualidade de um país sair do grupo dos 17, Passos Coelho considerou que isso seria uma catástrofe para a União Europeia, mas referiu: “Temos de estar preparados para todas as eventualidades”.

Spence, que é docente na Universidade de Nova Iorque, acredita que os países da moeda única saberão encontrar uma saída bem-sucedida para a crise. É, pelo menos, essa a sua expectativa declarada nesta entrevista, onde comenta com mais detalhe a situação económica em Itália.

Os investidores privados e os mercados, diz, têm ainda dúvidas em relação ao recente programa de contenção (no valor de 20.000 milhões de euros) anunciado pelo Governo. Dúvidas, continua, que existem também quanto ao suporte político às medidas de austeridade e ao próprio trabalho de Mario Monti – um primeiro-ministro que, na opinião pública, capitalizou a seu favor o perfil de tecnocrata após a demissão de Silvio Berlusconi e a quem Michael Spence elogia a experiência e a carreira política.

As incertezas estendem-se ao papel do Banco Central Europeu (BCE) na resolução da crise, observa. Michael Spence não referiu explicitamente as medidas anunciadas pela instituição para o reforço dos empréstimos aos bancos, nem a intervenção temporária do BCE nos mercados de dívida (através da compra no mercado secundário de obrigações dos países em dificuldades). Limitou-se a dizer que o BCE tem de “fazer o seu trabalho” e garantir “o normal funcionamento do sistema bancário”.