Crise do euro

Merkel e Sarkozy querem novo tratado europeu até Março

Foto: John Schults/ Reuters
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Foto: John Schults/ Reuters

A Alemanha e a França querem concluir até Março “um novo tratado” entre os 27 Estados da União Europeia (UE) ou, se não for possível, entre os 17 membros do euro com regras de disciplina orçamental mais estritas e sanções imediatas para os países incumpridores, anunciaram os seus dirigentes, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, no final de um encontro em Paris.

Os dois líderes, que se reuniram para preparar as cimeiras de líderes europeus de quinta e sexta-feira, consideradas como a última oportunidade para salvar o euro, anunciaram que chegaram a um “acordo completo” sobre uma série de medidas de combate à crise da dívida.

As propostas serão apresentadas na quarta-feira a Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, que as apresentará aos 27.

O novo tratado deverá prever “sanções imediatas em caso de não respeito da regra do défice [orçamental] inferior a 3%” do PIB, afirmou o presidente francês na conferência de imprensa final ao lado da chanceler.

“O nosso objectivo é que, em Março, a totalidade do acordo tenha sido negociada e concluída entre os 17 membros da zona euro porque temos de avançar depressa”, prosseguiu, esclaracendo que as ratificações terão lugar depois das eleições presidenciais e legislativas em França, em Abril.
Os dois líderes precisaram que o novo tratado poderá ser aberto a outros países não membros do euro que queiram associar-se.

Merkel e Sarkozy querem igualmente que, em paralelo, os governos do euro assumam no direito interno, de preferência nas constituições nacionais, um objectivo vinculativo de equilíbrio orçamental (défice zero), a chamada “regra de ouro”. A chanceler precisou por seu lado que o Tribunal de Justiça da UE passará a ter o poder de verificar se este objectivos estão a ser respeitados em todos os países.

Paris e Berlim querem ainda antecipar num ano, para 2012, a entrada em vigor do futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), concebido para substituir de forma permanente o actual fundo de socorro do euro (FEEF). Sarkozy disse igualmente que as suas decisões de socorro aos países com crises de liquidez passarão a ser tomadas por uma maioria qualificada de 85% das contribuições dos Estados membros, em vez da unanimidade.

Os líderes precisaram ainda que estão totalmente de acordo em considerar que o lançamento de eurobonds (emissão de dívida conjunta entre os países do euro) “não são de forma alguma uma solução para a crise”.

Notícia actualizada às 15h51

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