Elites estão caladas por lhes faltar independência, diz Alexandre Soares dos Santos

O presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, defendeu nesta terça-feira que “as elites têm uma responsabilidade acrescida” na situação “terrivelmente dolorosa” que o País atravessa, considerando que a falta da independência as remete ao silêncio.

“As elites têm que ser responsáveis e uma das principais ameaças ao desenvolvimento é faltarem políticos, empresários, intelectuais, académicos e sindicalistas independentes, capazes de poderem exercer por inteiro a sua responsabilidade”, afirmou Alexandre Soares dos Santos, na intervenção sobre “A Crise Portuguesa: Lições para a nossa Sociedade”, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI).

Afirmando ser “um cidadão tremendamente preocupado com o País”, o presidente da Jerónimo Martins, dona da cadeia de supermercados Pingo Doce, criticou “a excessiva proximidade entre o poder político e económico, que remete muitas das forças vivas ao silêncio e impede de se unirem na defesa de causas comuns”.

Para o empresário, “a situação terrivelmente dolorosa que se vive é o corolário de muitos erros e da apatia por parte da sociedade civil em geral e das elites em particular”, considerando que estas “têm uma responsabilidade acrescida de contribuir para o bem comum, que é a única forma de devolver à sociedade os benefícios que retiram do poder que as sociedades lhes reconhecem, porque vêem mais longe e melhor”.

No jantar-debate que reuniu, no Porto, mais de 200 empresários, Alexandre Soares dos Santos disse que “Portugal tem défice de elites e as que tem têm défice de responsabilidade por uma questão de independência, que é condição ‘sine qua non’ para se exercer a responsabilidade”.

Entende ainda que “falta capacidade de unir esforços à procura de soluções”, acrescentando que “na raiz, está o medo de retaliação, de perder concursos, um medo que precisa de ser expurgado”.

Em relação ao poder político, o empresário defendeu que “o Parlamento tem que ser responsável, porque é o melhor meio para assegurar o controlo da acção governativa”, considerando que “a negligência dos sucessivos governos só foi possível, porque o Parlamento não cumpriu a sua função”.

O presidente da Jerónimo Martins considerou que “acompanhar a acção dos deputados é desmoralizante, pela superficialidade do conhecimento, pelo desrespeito de uns por outros e pelo Parlamento”.