Resolução do problema da Grécia retira pressão para reforço da ajuda a Portugal

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Pedro Passos Coelho em Bruxelas Foto: Francois Lenoir/Reuters

Nas últimas semanas, Pedro Passos Coelho tem afirmado que um eventual incumprimento da dívida grega tornaria a situação portuguesa muito mais difícil devido aos riscos de contágio, o que poderia exigir o reforço do actual programa de ajuda externa de 78 mil milhões de euros.

“Admiti teoricamente a possibilidade de o programa ser reforçado caso a situação da Grécia não se viesse a resolver”, lembrou, na conferência de imprensa que concluiu a cimeira. Mas, frisou, “saio daqui com a expectativa de que a situação da Grécia se venha a resolver e portanto não necessitaremos de um novo programa por essa razão seguramente”.

O chefe do Governo considerou mesmo que o acordo deverá permitir serenar a turbulência e o efeito de contágio que tem afectado a zona euro desde o início da crise da dívida grega, há quase dois anos. “Enquanto durante muitos meses estivemos sempre a pensar qual era o país seguinte a poder precisar de ajuda, agora acredito que teremos condições para deixar de lado esse processo e passar para uma história diferente e de maior normalização”, defendeu.

Se assim será, prosseguiu, só o tempo o dirá. Tudo dependerá “da forma como os mercados avaliarem estas decisões e como os próprios países se comprometerem com as suas agendas de consolidação [orçamental] e de reformas estruturais”, prosseguiu, sublinhando: “não nos poderemos queixar daqui para a frente que nos faltam condições de partida para fazer esse caminho”.

Ontem, durante a madrugada, os líderes europeus chegaram a acordo depois de intensas negociações e aprovaram um plano que prevê o reforço do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para cerca de um bilião de euros, bem como a recapitalização da banca.

Além disso, ficou decidido um perdão de cerca de 50% da parte da dívida da Grécia detida por privados, que actualmente ascende a 210 mil milhões de euros (de um total de 350 milhões). Os bancos acabaram por aceitar abater 100 mil milhões de euros dos empréstimos concedidos ao Governo de Atenas, em troca de garantias (colateral) de 30 mil milhões de euros fornecidos pelo fundo de estabilidade financeira (FEEF).