Liga dos Campeões

Cortesia de Chiotis não chega para um FC Porto banal

Álvaro Pereira foi um dos jogadores do FC Porto em sub-rendimento
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Álvaro Pereira foi um dos jogadores do FC Porto em sub-rendimento Miguel Vidal/Reuters

Três semanas após a paupérrima exibição em São Petersburgo, contra o Zenit, o FC Porto regressou à Liga dos Campeões e não fez muito melhor (1-1). Apesar do brinde do guarda-redes grego Chiotis, logo aos 13 minutos, que resultou no primeiro golo, marcado por Hulk, os portistas aguentaram a vantagem apenas seis minutos e depois não tiveram arte para derrotar um APOEL que continua a ser uma boa surpresa no Grupo G.

Longe vão os tempos em que defrontar um clube cipriota era sinónimo de uma jornada tranquila. Os mais distraídos podiam pensar, quando o sorteio colocou o APOEL no mesmo grupo do FC Porto, que seis pontos já estavam garantidos para a equipa de Vítor Pereira. No entanto, os resultados nas duas primeiras jornadas do Grupo G confirmaram que o campeão de Chipre não está na Liga dos Campeões para fazer número.

A vitória em casa sobre o Zenit e o empate na Ucrânia frente ao Shakhtar colocavam o APOEL no primeiro lugar do grupo antes do jogo no Dragão e, a somar a isso, havia outro dado esclarecedor sobre as dificuldades que os cipriotas colocam aos rivais na prova: nos quatro jogos realizados fora de casa na fase de grupos da Liga dos Campeões (três em 2009-10 e um em 2011-12), apenas perderam um. Essa derrota aconteceu a 21 de Outubro de 2009, no Estádio do Dragão, contra o FC Porto, por 2-1.

O historial e as capacidades do APOEL não passaram despercebidas a Vítor Pereira. O treinador do FC Porto definiu o adversário como “muito bem organizado, solidário e compacto” e lembrou que os cipriotas “colocaram dificuldades” aos portistas há duas temporadas. No entanto, a mensagem transmitida aos jornalistas na antevisão do jogo não deve ter chegado ao balneário.

Na equipa inicial escolhida por Vítor Pereira estavam sete jogadores que há dois anos defrontaram o APOEL (Otamendi, Moutinho, James e Kléber eram as novidades) e, pela forma como os portistas encararam a partida, pareceu claro que, para os campeões portugueses, o jogo acabaria por decidir-se a seu favor, como há dois anos, com menor ou maior dificuldade. No entanto, desta vez não houve Falcao para resolver, como aconteceu no último confronto entre as duas equipas – o colombiano marcou o golo da vitória dos “dragões” a seis minutos do fim, em Nicósia.

Apesar da qualidade do APOEL, reflectida nos cinco pontos já alcançados, houve muito demérito do FC Porto. Com a equipa na máxima força, os portistas encararam a partida como se esta fosse a continuação do jogo frente ao Pêro Pinheiro e, para facilitar a tarefa dos campeões nacionais, Chiotis, aos 13 minutos, deu um “frango” e ofereceu o 1-0 a Hulk.

Mas, ao contrário do que aconteceu no fim-de-semana para a Taça de Portugal, depois do primeiro não veio o segundo, o terceiro, o quarto. Desta vez, pouco depois do golo portista surgiu empate: aos 19’, o brasileiro Ailton rematou cruzado de fora da área e fez o 1-1.

O golo dos cipriotas não espicaçou os amorfos jogadores do FC Porto: Guarín e Fernando jogavam em super-slow motion, Moutinho está irreconhecível, Hulk entrou com o fato de Givanildo, James parecia Cristián (Rodríguez)e Kléber fez muitas vezes lembrar que, afinal, Walter faz falta. Mesmo com 70 minutos para jogar depois do golo do empate, o FC Porto não conseguiu construir uma jogada com princípio, meio e fim e quase tudo morria sempre no trio do meio-campo portista.

Com o público nas bancadas cada vez mais nervoso, apenas Hulk, de forma tímida, ia criando perigo para o APOEL (56’, 65’ e 79’). Mas a inépcia portista e os assobios foram dando confiança aos cipriotas, que podiam ter chegado à vitória por Nuno Morais (63’) e Adorno que, já nos descontos, desperdiçou a melhor ocasião da partida.

Com este resultado, o FC Porto entra para a segunda volta do Grupo G fora dos lugares de acesso aos oitavos-de-final e, na próxima jornada, em Nicósia, vê-se obrigado a pontuar, sob pena de ficar numa posição muito complicada.

Ficha de jogo

FC Porto,


1

APOEL,


1

Jogo no Estádio do Dragão, no Porto. Assistência
32.512 espectadores.

FC Porto

Helton, Sapunaru, Otamendi, Rolando, Álvaro Pereira, Fernando (Belluschi, 69’), Guarín, João Moutinho (Defour, 78’), Hulk, James Rodriguez (Varela, 69’) e Kleber.

APOEL

Chiotis (Pardo, 51’), Poursaitides, Kaká, Oliveira, William Boaventura, Hélio Pinto, Nuno Morais, Charalambides, Manduca (Jahic, 71’), Trickovski (Adorno, 90+2’) e Ailton.

Árbitro

Antony Gautier, de França.

Amarelos

Hélio Pinto (28’), Otamendi (29’), Kleber (45+2’), Trickovski (47’), Rolando (49’), James Rodriguez (54’), Sapunaru (72’), Alvaro Pereira (78’), Guarín (84), Kaká (84’), Hulk (90+4’).

Golos

1-0, por Hulk, aos 13’ e 1-1, por Ailton, aos 19.

Notícia actualizada às 22h58