Governo diz que fará “todos os esforços” para manter a nota

Agência Moody´s ameaçou pôr triplo-A da França em revisão dentro de três meses

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Gonzalo Fuentes/ Reuters (arquivo)

A agência de notação de risco de crédito Moody´s emitiu um aviso à França sobre a solidez da sua nota máxima, o famoso triplo-A, que poderá colocar em revisão dentro de três meses.

A nota máxima do país não está para já em risco, mas a Moody´s adverte, numa nota divulgada ontem a acompanhar o lançamento do seu relatório anual sobre o crédito da França (e que não constitui uma acção de rating), para as crises financeira e económica globais “levaram a uma deterioração da métrica da dívida” do Governo de França, que “está agora entre as mais francas dos pares da França com nota Aaa.

A acrescer a esta situação, a agência nota que a França enfrenta novos desafios nos próximos meses, como a possível necessidade de dar mais apoio financeiro a outros países da zona euro com problemas de dívida soberana ou ao seu próprio sistema bancário.

E por isso, “nos próximos três meses, a Moody´s vai acompanhar e avaliar a perspectiva estável” da nota máxima da dívida francesa “em termos dos progresso do Governo em implementar” um conjunto de “medidas necessárias de reforma económica e fiscal” que não especifica, bem como “o progresso visível para alcançar as melhorias desejadas na sustentabilidade” da dívida. Findo este prazo, a agência poderá pôr a nota de risco da dívida francesa sob revisão negativa.

Condição para “proteger o modelo social”

O Governo francês já reagiu a este aviso, através do seu ministro da Economia e Finanças, François Baroin, que veio hoje dizer que o país fará “todos os esforços” para manter a sua nota triplo-A nas agências de notação.

“Estaremos lá para manter este triplo-A. É uma condição necessária para proteger o nosso modelo social… Faremos todos os esforços para não termos uma desclassificação”, disse Baroin no canal televisivo France 2, citado pela AFP.

“Não temos margem de manobra… Tomaremos todas as medidas e por isso não há inquitação”, repetiu, apelando a que se mantenha “o sangue frio”.

A Moody´s, uma das três principais agências ocidentais de avaliação de risco de crédito, manteve para já a perspectiva estável da nota (rating) da dívida soberana da França atendendo ao “crescimento sustentável do PIB” do país, que diz ser “suportado pela grande dimensão da sua economia, elevada produtividade, ampla diversificação e a sua tradição de inovação, juntamente com um elevado nível de poupança no sector privado e um apenas moderado nível de endividamento das famílias e empresas”.

A dívida da França tem nota triplo-A das três principais agência de notação do Ocidente (a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch Ratings, todas norte-americanas), o que significa que a sua dívida está na categoria considerada mais segura, e portanto com o menor risco possível de incumprimento das condições de reembolso acordadas com os credores.

Os EUA, que até há pouco eram considerados o país com menor risco de incumprimento, já tiveram uma descida da nota triplo-A pela Standard & Poor’s (para AA+), mas mantêm a nota máxima junto das outras duas agências.

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