Fraco crescimento da produção

Banco de Inglaterra injecta 75 mil milhões de libras na economia

O Banco de Inglaterra prevê uma subida da inflação para 5% nos próximos meses
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O Banco de Inglaterra prevê uma subida da inflação para 5% nos próximos meses Suzanne Plunkett/Reuters

O Banco de Inglaterra anunciou hoje uma nova injecção de dinheiro na economia britânica, no valor de 75 mil milhões de libras (88 mil milhões de euros), antecipando uma expectativa dos analistas.

“O ritmo da expansão global enfraqueceu, especialmente nos principais mercados de exportação do Reino Unido”, justificou o banco central em comunicado, afirmando ainda que “as vulnerabilidades associadas ao endividamento de alguns países e bancos da zona euro resultaram em tensões graves no mercado de financiamento dos bancos e mercados financeiros em geral”, que “ameaçam a recuperação do Reino Unido”.

A acção do banco central acontece perante os receios de uma nova recessão no país, depois de o instituto de estatísticas ter revisto em baixa, na quarta-feira, o crescimento económico no segundo trimestre, de 0,2% para 0,1%.

A flexibilização monetária quantitativa [quantitative easing] não implica a impressão de dinheiro, mas resulta na compra de activos a instituições do sector privado, que na prática ganham liquidez, beneficiando, por conseguinte, a economia em geral.

O Banco de Inglaterra invocou como factores a quebra na produção industrial, a tendência de redução do consumo e a limitação do crédito devido à dificuldade de financiamento dos bancos, apesar de as taxas de juro permanecerem num nível baixo recorde de 0,5%.

“Embora o estímulo monetário e o nível actual da libra esterlina possam ajudar a procura, a perspectiva de fraco crescimento da produção, e crescentes riscos de descida, significam que a margem de desaceleração da economia é provavelmente maior e mais persistente do que inicialmente esperado”, enfatizou.

O Banco de Inglaterra projecta um aumento da inflação de 4,5% em Agosto para 5% nos próximos meses, pressionada pelos preços da energia, para depois cair “acentuadamente” em 2012 devido ao desemprego.

Perante este cenário, e tendo em conta a obrigação de estabilizar a inflação nos 2%, o comité de política monetária decidiu que era necessário “mais estímulo monetário na economia”.

Embora reconheça o efeito positivo na confiança e bolsas, o economista Azad Zangana, da Schroeders questiona que aumente o crédito oferecido pelos bancos e que, por isso. tenha um “impacto significativo na economia”.

“Não nos surpreenderíamos que o Banco de Inglaterra fosse forçado a anunciar mais flexibilização monetária quantitativa em Fevereiro de 2012, quando o último programa terminar”, vincou.