Conservação

Identificados os 20 locais mais importantes do mundo para mamíferos marinhos

As águas em redor das Galápagos são um dos locais insubstituíveis
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As águas em redor das Galápagos são um dos locais insubstituíveis Guillermo Granja/Reuters

As 20 regiões mais importantes do planeta para a conservação de mamíferos marinhos foram identificadas por um estudo científico publicado ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

Sandra Pompa, da Universidade Autónoma do México, liderou a equipa de cientistas que identificou quais os locais que são cruciais para as populações das 123 espécies de mamíferos marinhos e para as seis espécies de mamíferos de água doce.

“Criámos mapas de distribuição geográfica para todas as 129 espécies”, explicam os autores na revista. Os locais de conservação mais importantes, identificados nesses mapas, “foram determinados pela diversidade de espécies ou pelo seu carácter único, ou seja, pela presença de espécies endémicas”, que não existem em mais lugar nenhum do mundo.

Os resultados, publicados ontem, revelam nove locais de conservação com os níveis mais elevados de biodiversidade, onde estão concentradas 84 por cento das espécies de mamíferos marinhos. São eles as zonas costeiras da Baixa Califórnia (México), Nordeste da América, Peru, Argentina, Noroeste de África, África do Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia, segundo o jornal “The Guardian”.

Além disso, os investigadores identificaram onze locais de conservação “insubstituíveis”, com espécies endémicas, nomeadamente as águas em redor do Havai, Galápagos, o lago Baikal (Sibéria) e os rios Amazonas, Ganges e Yangtzé. Destes, seis foram registados em lagos ou rios e cinco no mar.

Mas o estudo também mostra que a maioria das áreas consideradas cruciais para estes animais está ameaçada pela poluição, destruição de habitats, espécies exóticas invasoras e pelo tráfego marítimo. De acordo com Sandra Pompa, “70 por cento das áreas com mais impactos humanos estão perto de um local de conservação crucial”, disse a investigadora, citada pelo “The Guardian”. “Estamos a competir [com os mamíferos marinhos] em termos de navegação ou de poluição. Queremos construir indústrias ou atracções turísticas nas suas casas.”

“Estes locais cruciais para a conservação representam áreas críticas de valor conservacionista a um nível global e podem ser o primeiro passo para a adopção de estratégias globais com metas claras para as Áreas Marinhas Protegidas”, consideram os autores do estudo.”

“A conservação marinha só agora está a começar”, dizem ainda. “Os mamíferos marinhos são espécies muito importantes porque representam a saúde de um ecossistema. Se começamos a perder espécies, começamos a ter oceanos degradados.” Assim, “uma visualização dos locais com a maior riqueza em biodiversidade, onde estão as espécies ameaçadas e que corredores precisamos criar para as proteger é um bom começo para saber onde concentrar os nossos esforços”.