Presas de elefantes incendiadas num parque nacional

Quénia queima cinco toneladas de marfim em guerra contra traficantes

A cerimónia foi realizada no Parque Nacional Tsavo Ocidental
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A cerimónia foi realizada no Parque Nacional Tsavo Ocidental Foto: Noor Khamis/Reuters

Cinco toneladas de presas de elefante, avaliadas em 12 milhões de euros, foram empilhadas e incendiadas num parque nacional do Quénia. O Presidente quis mostrar de que lado está na guerra contra os traficantes de marfim.

As 355 presas - de elefantes mortos no Malawi e na Zâmbia - foram apreendidas em Singapura, em Junho de 2002. Anteontem ficaram reduzidas a cinzas, pela mão do próprio Presidente queniano Mwai Kibaki.

“Com a destruição do marfim contrabandeado queremos demonstrar ao mundo a nossa determinação em acabar com todas as formas de tráfico de marfim”, declarou Kibaki durante a cerimónia e perante centenas de conservacionistas quenianos e de outras nacionalidades, militares e jornalistas no Parque Nacional Tsavo Ocidental.

Nos últimos anos, os países africanos têm debatido o que fazer ao marfim apreendido, com uns a defender a destruição e outros a venda faseada, por quotas, alegando que os animais já tinham morrido e que as receitas poderiam reverter para a conservação dos elefantes.

“Temos de conhecer os efeitos negativos do tráfico para as nossas economias nacionais. Não nos podemos dar ao luxo de ficar sentados e permitir que redes criminosas destruam o nosso futuro comum”, acrescentou, citado num comunicado publicado no site oficial daquele parque nacional.

Além das 355 presas de elefante foram deitadas para a pilha 41.553 esculturas de marfim. O acto simbólico de deitar fogo a este marfim recreou uma cerimónia semelhante que aconteceu em 1989 no Parque Nacional Nairobi, com o então Presidente Daniel Arap Moi, e que levou à moratória internacional ao comércio de marfim.

Anteontem, o ministro do Turismo e da Vida Selvagem queniano, Ephraim Kamuntu, deixou também uma mensagem clara aos traficantes: “os seus dias estão contados”.

Noah Wekesa, ministro das Florestas e da Vida Selvagem, revelou que o Quénia deverá aprovar em breve uma nova política e documento legislativo sobre vida selvagem, que prevê multas pesadas para quem contrabandear marfim.

Esta queima de presas de elefante foi o terceiro a acontecer em África depois do de 1989 e de um outro em 1992, na Zâmbia.

Desde a moratória de 1989, o número de elefantes começou a recuperar, dos 16 mil nesse ano para os cerca de 37 mil dos nossos dias.

No entanto, nos últimos anos tem-se registado um aumento da procura de marfim pelos países asiáticos. “Tem havido um aumento do abate ilegal de elefantes, como já não víamos há 20 anos”, comentou Iain Douglas-Hamilton, fundador da organização Save the Elephants. “Nos últimos dois anos, o preço do marfim subiu descontroladamente, incentivado pelo aumento da procura”, disse à agência Reuters, em frente à pilha em chamas.