Equipa liderada por jovem investigador português

Foi sequenciado o genoma do rato-toupeira que não tem cancro

O rato-toupeira-pelado
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O rato-toupeira-pelado Foto: Roman Klementschitz

Desvendar os segredos da longevidade deste pequeno roedor careca pode contribuir para o estudo do envelhecimento humano.

Acaba de ser obtido o primeiro “rascunho” da totalidade do genoma do rato-toupeira-pelado, um mamífero que, embora não se distinga pela sua beleza física, possui uma invulgar resistência às doenças da velhice. O trabalho envolveu as mais recentes tecnologias de sequenciação genética e uma colaboração entre a Universidade de Liverpool e o Centro de Análise do Genoma (TGAC) de Norwich (ambos no Reino Unido).

Até à data, explica um comunicado daquela universidade britânica, nunca foi detectado cancro nestes animais. E mais: resultados recentes sugerem que as suas células possuem capacidades anti-tumorais inexistentes noutros roedores ou nos seres humanos.

“O rato-toupeira-pelado fascina os cientistas há muitos anos”, diz o jovem cientista português João Pedro de Magalhães, que liderou o trabalho, citado pelo mesmo documento, “mas há apenas um anos que descobrimos que podia viver tanto tempo. Não é muito maior do que um ratinho, que normalmente vive até quatro anos, e no entanto este roedor subterrâneo consegue viver de boa saúde durante três décadas. É um exemplo interessante de tudo aquilo que ainda não sabemos acerca dos mecanismos do envelhecimento."

Os cientistas estão agora a analisar a sequência genética que obtiveram e a disponibilizá-la à comunidade científica, esperando vir a perceber como este animalzinho faz para resistir tanto tempo às doenças – e ainda por que é que certos animais, em particular os humanos, são mais susceptíveis ao cancro, por exemplo, do que outros. “Com este trabalho, queremos fazer do rato-toupeira-pelado o primeiro modelo de resistência às doenças crónicas do envelhecimento”, salienta o investigador.