Bancos franceses vão reinvestir cerca de 70 por cento da dívida grega

Sarkozy pede apoio europeu ao alargamento da maturidade das obrigações gregas

Sarkozy disse que é do interesse de toda a UE defender o euro
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Sarkozy disse que é do interesse de toda a UE defender o euro Philippe Wojazer/Reuters

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, deixou a garantia de que a Europa não deixará cair a Grécia, mas, para isso, pediu que outros países sigam o exemplo dos bancos privados franceses, que se mostraram disponíveis para prolongar a maturidade de 70 por cento dos títulos detidos em obrigações gregas.

Sarkozy confirmou, em conferência de imprensa, que o Tesouro e os bancos e seguradoras franceses acordaram, durante o último fim-de-semana, reinvestir cerca de 70 por cento da dívida soberana helénica que venceria entre 2011 e 2014.

Na prática, 50 por cento da dívida grega detida por bancos franceses vai ser convertida em novos empréstimos, com uma maturidade de 30 anos, e os restantes 20 por cento são investidos num fundo de garantia que assegura essa nova dívida através de títulos de alta qualidade.

No quadro do novo pacote de assistência que a União Europeia está a desenhar para a Grécia, o envolvimento do sector privado tem sido uma das condições a que Paris e Berlim, sobretudo, têm apelado. Na Europa, as instituições financeiras alemãs e francesas são as que detêm maior número de títulos de dívida grega – no total, 25,3 mil milhões de euros.

Sarkozy referiu o empenhamento não só da França, mas também da Alemanha, na pessoa da chanceler alemã, Angela Merkel, “em passar do princípio [do envolvimento voluntário dos credores] à realização concreta”.

A proposta francesa, que, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, está a ser avaliada pelos maiores bancos e seguradoras alemães, coloca os empréstimos durante um período de 30 anos “ao nível dos empréstimos europeus indexados ao crescimento grego”, explicou Sarkozy.

Para o presidente francês, só o facto de a participação dos privados no novo pacote de assistência à Grécia vir a ser realizado de forma voluntária evitará que essa ajuda seja encarada como default. Caso contrário, explicou, “seria vista como um incumprimento do pagamento, com um risco de contágio de [proporções] catastróficas enormes”.