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Morreu Salvador Caetano, o rosto da Toyota em Portugal

Salvador Caetano numa fotografia de Janeiro de 2003
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Salvador Caetano numa fotografia de Janeiro de 2003 Carla Carvalho Tomás/Arquivo

Salvador Caetano, fundador do grupo que, com o seu nome, representa a Toyota em Portugal, morreu esta segunda-feira aos 85 anos.

De acordo com a agência Lusa, o corpo do empresário vai estar em câmara ardente na capela de Santo Ovídio, em Gaia, indo a enterrar no cemitério de Vilar de Andorinho.

Submetido a várias operações, Salvador Caetano estava há alguns anos afastado das funções executivas do grupo, actualmente presidido por uma das filhas, Maria Angelina Caetano Ramos. Só em Fevereiro do ano passado deixou a presidência da Toyota Caetano Portugal, a principal participada da empresa familiar que o faria ser conhecido como o “senhor Toyota”.

Salvador Caetano começara a trabalhar aos 11 anos e chega, mais tarde, a ir para Londres aprender inglês para poder negociar a entrada da Toyota em Portugal.

A rede de concessionários é constituída quatro anos depois de ficar com o exclusivo da representação da marca e é nessa altura que os japoneses adquirem 27 por cento do capital da Salvador Caetano. Hoje, o grupo representa dezenas de outras marcas e tem três grandes unidades de negócio que ultrapassam muito além aquela aliança.

Logo em 1982, a BMW é representada pelo empresário através da Baviera, quando já tinha fundado a holding da família. É nessa altura que, embalado com o crescimento da economia nacional nessa década, desenvolve parcerias com outros empresários, nomeadamente no Norte, com Laurindo Costa, da construtora Soares da Costa, ou Belmiro de Azevedo, da Sonae, proprietária do PÚBLICO.

Aí já tinha fundado uma fábrica – depois convertida para montagem de veículos comerciais – que no início dos anos 1970, em Ovar, tinha capacidade de produção de 50 automóveis por dia.

A ambição e a mão-de-ferro na gestão dos negócios que lhe reconhece quem é do seu círculo de amigos fizeram-no ainda sonhar ver nascer em Portugal uma fábrica da Toyota que pudesse exportar para toda a Europa.

“Era um self made man, tinha a quarta classe e tudo o que fez foi à custa de trabalho, perseverança e leitura. Aprendemos a respeitá-lo pela lealdade, pelo sentido de justiça e pela capacidade de trabalho”, recorda José Abreu Teixeira, antigo administrador da Caetano Bus, que trabalhou com Salvador Caetano ao longo de 45 anos.

O crescimento do grupo tornou-se mais visível a partir dos anos 90. O grupo entra no negócios do aluguer de viaturas, da gestão de frotas e de centros de serviços, ao mesmo tempo que vai crescendo também do outro lado da fronteira. Em 2008, o grupo tinha nos quadros mais de 6600 funcionários e estava presente em Inglaterra (um país de quem, desde cedo, Salvador Caetano esteve próximo), Espanha, Alemanha, Cabo Verde e Angola.

Foi no ano passado que no momento da divisão da herança de Salvador Caetano o empresário saiu oficialmente da presidência da Toyota Caetano Portugal. As posições accionistas do fundador e da mulher foram dividias de forma igual entre os três filhos. Os mais velhos, Maria Angelina e Salvador Acácio, ficaram com a holding que detém aquela participada do grupo. Ana Maria Caetano ficou com uma fábrica e 11 por cento da participação do grupo na Soares da Costa.

José Abreu Teixeira arrisca mesmo: “Portugal tivesse meia dúzia de empresários como ele, seria um país muito diferente.”

Notícia actualizada às 19h40