Ambiente

Câmara de Arouca quer prisão preventiva para autores de descargas poluentes nos rios

A Câmara ainda desconhece os autores das descargas
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A Câmara ainda desconhece os autores das descargas Foto: PÚBLICO

A autarquia de Arouca vai adoptar uma política “intransigente” com os responsáveis por descargas poluentes nos rios Paiva e Paivô, onde recentemente foram detectados coliformes fecais, e defende que esses crimes merecem prisão.

Lamentando que os problemas tenham surgido apenas algumas semanas após o anúncio de um investimento de 2,5 milhões de euros na requalificação das margens do Paiva, o presidente da Câmara Municipal revelou à Lusa desconhecer os autores das descargas e considerou “inaceitável” a situação, que deve ser “tratada como o crime que é”.

José Artur Neves anunciou que a autarquia “vai começar a ser intransigente a este nível” e defendeu que os autores dessas acções poluidoras “deviam ser logo mandados para prisão preventiva enquanto aguardam julgamento”, na medida em “está em causa não só a natureza, mas também a saúde das pessoas. E com isso não se brinca”.

O autarca reconheceu, contudo, que certas populações ainda demonstram “alguma falta de formação em relação a comportamentos ambientais”, do que terá resultado “um mal-entendido” recente na freguesia de Moldes, quando as recomendações de um membro do executivo não foram compreendidas e uma quantidade de resíduos de construção civil foi indevidamente depositada nas margens do rio Paivó.

“O vereador recomendou que esse entulho fosse colocado num local onde poderia servir para ajudar à reposição de cotas”, explica José Artur Neves, “mas a comissão fabriqueira percebeu que ele se referia a um sítio nas margens do rio onde as pessoas, infelizmente, têm o mau hábito de depositar lixos”.

O presidente da Câmara de Arouca considera, ainda assim, que “esses detritos estão longe de ter a mesma gravidade dos que resultam das descargas das vacarias”.

“Se por acaso chegam ao rio, os resíduos da construção turvam a água, é um facto, mas não deixam de ser terra e pedra, sem bactérias. Mas quando os proprietários das vacarias aproveitam as chuvas para fazer a descarga de dejectos dos animais, isso representa outro perigo muito maior, que não tem comparação”.

José Artur Neves revela que o problema se tem verificado ao longo do rio Paiva, em diferentes zonas do seu trajecto entre Arouca e Castelo de Paiva, sendo que a questão dos resíduos de construção civil se verificam particularmente em Mões, concelho de Castro Daire, “devido a uma pedreira desactivada cujo proprietário já levou várias coimas, mas continua a não aprender”.

Adiantando que “as câmaras de Arouca e Castro Daire estão a trabalhar em conjunto para pôr cobro a estes comportamentos e estancar o problema”, o autarca afirma também ser “preciso aumentar a fiscalização a estas infracções e o Governo tem que começar a ter mão pesada nesta matéria”.