Decisão tomada depois de revisão pós-desastre de Fukushima

Governo alemão anuncia fim das centrais nucleares em 2022

Manifestação contra o nuclear ontem em Berlim
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Manifestação contra o nuclear ontem em Berlim Tobias Schwarz/Reuters

O Executivo de Angela Merkel anunciou ontem que a partir de 2022 não haverá centrais nucleares a operar no país. A Alemanha torna-se assim o país a decidir a mais drástica redução do seu programa atómico depois do desastre nuclear de Fukushima, no Japão.

No entanto, este anúncio é uma reversão de uma reversão de um plano de redução nuclear. Confuso? Tudo começou com a decisão, tomada pelo Governo de Gerhard Schröder em 1998, de um encerrar faseado das centrais nucleares até 2020. Mas o Executivo de Angela Merkel reverteu, no ano passado, esta decisão, admitindo que algumas das 17 centrais atómicas do país funcionassem ainda mais uns anos.

Mas a chanceler acabou por anunciar uma revisão desta política ordenando a imediata suspensão de operações nas sete centrais mais antigas na sequência do desastre de Fukushima e do aumento da oposição da opinião pública ao nuclear – o temor alemão da energia atómica é bem visível não só nas manifestações cíclicas como na omnipresença do sinal amarelo e sol vermelho dizendo “nuclear não obrigado” em autocolantes em bicicletas ou carrinhos de bebé ou em bandeiras em varandas de prédios. Ainda ontem dezenas de milhares de pessoas participaram em manifestações contra a energia atómica em 20 cidades alemãs.

"É definitivo"

Um pouco mais tarde, surgia o anúncio do Governo: depois de 2022 não haverá nenhuma central nuclear alemã a operar, garantiu o ministro do Ambiente, Norbert Rottgen, depois de uma maratona de conversações que terminou na madrugada de domingo para segunda-feira, segundo a imprensa alemã.

“É definitivo. Não haverá cláusulas de revisão”, afirmou o ministro. As centrais têm encerramento previsto para 2021, com a possibilidade de extensão de um ano se a transição para outras fontes de energia não correr de acordo com o planeado.

Segundo este novo plano, feito com base nas recomendações de uma “comissão de ética” nomeada por Merkel na sequência do desastre de Fukushima, os sete reactores que tiveram actividade suspensa após o terramoto no Japão não voltarão a funcionar, com excepção de um que será mantido em modo stand-by, para o caso de ser necessária energia extra em dias de muito frio e pouca energia solar disponível, segundo a revista alemã “Der Spiegel”.

Antes, a Suíça tinha sido o primeiro país a anunciar restrições no seu programa atómico, afirmando que não irá construir mais reactores nucleares, depois de os actuais atingirem o seu fim de vida: a central mais antiga fechará as portas em 2019 e a mais nova em 2034.