Preocupação com o ambiente aumentou entre portugueses

O último inquérito EVS (European Values Study) realizado, em Portugal, pelo Instituto de Ciências Sociais (USC) da Universidade de Lisboa, que hoje é debatido na Gulbenkian, em Lisboa, revela também que a problemática das alterações climáticas passou a fazer parte das inquietações, à medida que aumenta a presença deste tema nas notícias internacionais.

Apesar desta preocupação, entre os europeus, os portugueses são dos que menos participam nas actividades das associações, mas, quando incentivados a dar uma contribuição para a defesa do ambiente, respondem como demonstra a adesão à mudança para lâmpadas mais económicas e ou à separação do lixo, como explicou hoje à agência a especialista Luísa Schmidt.

Actualmente, são já 44% os consumidores que admitem fazer selecção de resíduos, número que duplicou, tal como os produtos agrícolas biológicos, que passaram para 12%.

Luísa Schmidt, do USC, disse que "aumentou imenso nos últimos 10 anos a preocupação com o ambiente e quase 93% dos portugueses consideram-se preocupados ou muito preocupados, quando em 1998 esse valor era de 71%".

Entre as prioridades, depois da poluição e escassez da água, na lista surgem o ar, a desflorestação que tem a ver com os incêndios e as alterações climáticas e os oceanos, cuidados relacionados com a ligação feita entre ambiente e saúde e dignidade.

"As alterações climáticas são um problema que saltou, não era importante antes e tornou-se importante, está ligado, por um lado à mediatização e, por outro, a fenómenos extremos que as pessoas veem", como tornados ou cheias, explicou a especialista em questões ambientais.

Quase 80% das pessoas consideram as alterações climáticas "um problema grave e só 4% dizem que o problema não é grave, enquanto 10% acham que o problema é tão grave que não podemos fazer nada", especificou.

Na análise social dos resultados do estudo, que envolveu inquéritos a 1.500 portugueses, Luísa Schmidt realçou "duas clivagens interessantes, uma é os mais novos, outra os mais escolarizados".

Os mais jovens, além de partilharem as preocupações mais relevantes, dão mais importância à questão naturalista, como as espécies em vias de extinção, a biodiversidade, o desordenamento do território e a energia.

Já os mais letrados, segundo a professora, "fazem uma grande diferença, porque têm uma noção muito mais certa das preocupações, têm um conhecimento muito mais elevado, estão muito mais informados e, por exemplo, são esses que valorizam mais a questão dos oceanos".

Acerca da energia nuclear, as respostas revelam que "a maioria das pessoas estão contra, porque acham que é demasiado perigosa, muito cara, morosa e complexa".

As instituições em que os portugueses mais confiam (acima de 50% das respostas) são os sistemas de Educação, forças policiais, Saúde, Segurança Social, Igreja e organizações ambientalistas.

Ao contrário, "temos mais desconfiança em relação ao sistema de Justiça, ao Governo e aos partidos políticos", apontou Luísa Schmidt.

O último inquérito EVS referente a 2008 abrange os 27 Estado-membros da União Europeia e, pela primeira vez, inclui, em Portugal, um conjunto específico de questões sobre ambiente.

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