Manifestação em São Bento

Sindicalistas foram libertados, mas serão hoje presentes ao juiz

Fotogaleria
O sindicalista José Manuel Marques (centro) foi um dos detidos Agência Lusa/Mário Cruz
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Uma mulher grita contra a polícia, durante a manifestação Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
O sindicalista José Manuel Marques foi um dos detidos Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters
Fotogaleria
Confrontos entre os manifestantes e a polícia junto à residência oficial do primeiro-ministro Rafael Marchante/Reuters

Os dirigentes sindicais detidos na terça-feira frente à residência do primeiro-ministro foram libertados e serão esta quarta-feira, às 10h00, presentes ao juiz.

Os dirigentes sindicais detidos esta terça-feira, ao final da tarde, perto da residência oficial do primeiro-ministro, após uma concentração de dirigentes, delegados e activistas sindicais da administração pública, marcada junto a S. Bento, em Lisboa, vão esta quarta-feira ser presentes a tribunal, pelas 10h00.

José Manuel Marques, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e um sindicalista da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) foram libertados ainda ontem e, segundo, a Lusa, juntaram-se já depois das 20h00 aos manifestantes que continuavam no local.

Um dos dirigentes sindicais é indiciado pelo crime de desobediência e o outro por agressão à autoridade, disse o porta-voz do Comando metropolitano da PSP de Lisboa, Jorge Barreiras. “A polícia teve de fazer uma detenção por desobediência à ordem legitimamente emanada da autoridade e outra por agressão a agente da autoridade”.

A manifestação estava integrada numa acção nacional de luta contra os cortes salariais, a realizar na segunda quinzena de Fevereiro.

Era mais uma concentração naquele local e nada indicava que pudesse terminar daquela forma. O corpo de polícia, segundo informação oficial, é um corpo experimentado que está habituado às manifestações perto da residência oficial do primeiro-ministro. “É uma rotina”: estabelece-se um cordão e polícias e manifestantes costumam mesmo conversar. Desta vez não foi assim.

Os sindicalistas presentes aprovaram uma moção contra os cortes salariais impostos por uma política de austeridade que, dizem, pouco incomoda os mais privilegiados. E uma delegação foi entregá-la à residência oficial. Os incidentes aconteceram então, quando os trabalhadores já desmobilizavam.Uma delegação de sindicalistas quis descer a Calçada da Estrela, é o que contam Francisco Brás, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), e Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública.

Francisco Brás não tem a certeza, mas acredita que um grupo de sindicalistas teria uma reunião no Parlamento. É isso que também diz Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, ao garantir que alguns dos presentes tinham audição marcada na Comissão Parlamentar de Educação e tentaram deslocar-se para a Assembleia da República.

A polícia não deixou passar. “De repente, a polícia fez um cordão e impediu-nos de passar”, conta Francisco Brás. “Toda a situação que se gerou foi completamente disparatada”, afirma ainda. “Uma situação desajustada”.
“O que aconteceu foi a detenção de dois manifestantes por desobediência à ordem de permanecerem a mais de 100 metros da residência oficial”, conta o oficial do Comando da PSP contactado pelo PÚBLICO. Havia uma barreira e verificou-se “uma violação” dessa barreira.

A reac��ão da polícia gerou confusão. Os ânimos exaltaram-se e o cordão policial fez-se valer da força. “A polícia carregou”, refere-se num comunicado da Frente Comum. “Sem qualquer justificação”, a polícia começou “a bater indiscriminadamente”. Francisco Brás afirma que se tentou, em vão, falar com os responsáveis da polícia.

As imagens captadas no local retratam a balbúrdia criada. Um polícia de bastão levantado a ameaçar os manifestantes na Calçada da Estrela, enquanto uma polícia empurra outro manifestante para o afastar do perímetro da residência oficial. No mesmo local, um sindicalista tenta esquivar-se à mão de um polícia que parece apertar-lhe o pescoço. Noutra foto, percebe-se o cordão policial formado na Rua Borges Carneiro, a tentar suster a manifestação, para – noutra fotografia – acabar por se romper e deixar passar os manifestantes. Pressente-se a tensão do lado dos manifestantes e a força que os polícias tiveram de empregar para segurar a manifestação.

No final, segundo a CGTP, foram detidos três sindicalistas: dois do STAL e outro da Frente Comum. Um deles foi mesmo algemado. A PSP diz que eram dois: um foi detido por desobediência e outro por violência. Todos foram levados para a esquadra de Alcântara, no Largo do Calvário. O comunicado da Frente Comum divulgado esta terça-feira, ao final da tarde, sublinha que o Governo mandou a polícia reprimir a manifestação e que se tratou de um atentado ao direito constitucional de reunião.

Notícia actualizada às 09h38 de quarta-feira, dia 19 de Janeiro