Dívidas ascendem a 9,2 milhões de euros

Águas do Alardo, um antigo negócio de Sousa Cintra, falha recuperação e entra em falência

O empresário, ex-presidente do Sporting, comprou empresa por um escudo em 97
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O empresário, ex-presidente do Sporting, comprou empresa por um escudo em 97 Foto: Nuno Ferreira Santos

A mítica empresa de Castelo Novo, Fundão, que foi comprada pelo ex-presidente do Sporting por um escudo, não resistiu a dívidas de cerca de nove milhões de euros. Liquidação vai ser decidida em assembleia de credores.

Sobreviveu a um terramoto de imagem, nos anos 90, quando se descobriu que a água estava contaminada por uma microalga prejudicial à saúde. Passou pelas mãos do empresário Sousa Cintra, durante o périplo do antigo presidente do Sporting pelo mercado das bebidas. Este ano, perante uma quebra nas encomendas, os novos donos desenharam um plano de recuperação a seis meses. Mas a Águas do Alardo não resistiu e, depois de notícias de cortes na electricidade, salários em atraso e arresto de bens, o Tribunal do Comércio de Lisboa declarou a sua insolvência.

A decisão foi conhecida ontem, através de um edital que dá conta de que foi nomeado um administrador judicial, José da Cruz Marques, para acompanhar o processo. Terão sido os próprios credores, de entre os quais o BES e o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), que pediram a insolvência da Águas do Alardo, depois de recusarem o plano de recuperação, disse recentemente Silvino Dias Ruivo, actual dono, a uma rádio local do Fundão.

O gestor tinha adquirido a empresa no início do ano a José Sousa Cintra e, praticamente duas semanas depois de concluir o negócio, foi alvo de um arresto de bens, que culminou com a perda de algumas máquinas instaladas na fábrica de Castelo Novo. Na altura, Dias Ruivo argumentou que se tinha tratado de "um percalço", garantindo à agência Lusa que a empresa "tinha futuro e novos contratos".

O empresário tinha, aliás, definido um plano de recuperação a seis meses para a Águas do Alardo, mas foram-se sucedendo episódios que puseram a descoberto as fragilidades financeiras da empresa. A fábrica ficou parada em Setembro, porque a EDP decidiu cortar a electricidade e os trabalhadores, que chegaram a ser 170 e agora estão reduzidos a 30, vieram a público denunciar atrasos no pagamento dos salários.

Ontem, o tribunal deu 30 dias para os credores reclamarem as dívidas. De acordo com declarações recentes de Dias Ruivo, as dívidas ascendem a 9,2 milhões de euros e fazem parte da lista de credores o IAPMEI (2,6 milhões de euros), o próprio Sousa Cintra (2,5) e o BES (1,6).

O empresário, que chegou a anunciar como objectivo "voltar a colocar a Águas do Alardo no topo", uma posição que ocupou, durante alguns anos, como número três do sector, confessou, em Novembro, que a empresa estava à venda. De entre os potenciais compradores estavam "um grupo económico espanhol, outro angolano e um empresário da região" do Fundão, ao qual disse que seria dada "preferência", por se tratar de um investidor local.