Depois de fracasso das negociações da CBI em Marrocos

Nova Zelândia pondera levar Japão e caça à baleia a Tribunal Internacional de Justiça

Em 2008/2009, as embarcações japonesas mataram 1003 baleias
Foto
Em 2008/2009, as embarcações japonesas mataram 1003 baleias Issei Kato/Reuters

O Governo neo-zelandês decidiu ponderar levar o Japão e a caça à baleia ao Tribunal Internacional de Justiça, depois do fracasso das negociações da Comissão Baleeira Internacional (CBI) esta semana em Agadir, Marrocos.

A Nova Zelândia pode, assim, juntar-se à Austrália, país que anunciou no final de Maio que iria levar o Japão ao Tribunal de Haia.

“Tendo em conta o fracasso das negociações em Marrocos, vamos agora ponderar apresentar um processo junto do Tribunal Internacional de Justiça”, declarou ontem em comunicado Murray McCully, ministro neo-zelandês dos Negócios Estrangeiros. “Prevejo que a decisão seja tomada muito em breve”, adiantou, sublinhado a sua “decepção” com o beco sem saída a que chegaram as negociações.

Um dos maiores objectivos da delegação neozelandesa era conseguir um “acordo sobre o fim da caça à baleia nas águas da Antárctida o mais depressa possível”, explicou. Ainda assim, acrescentou, mesmo que o processo a decorrer na CBI não avance este ano, a Nova Zelândia vai “continuar a usar todos os meios disponíveis para alcançar o nosso objectivo”.

A Austrália decidiu levar o Japão ao Tribunal de Haia porque, diz, está a caçar baleias na Antárctida em nome da investigação científica.

Todos os anos, o Japão caça centenas de baleias em nome da “investigação científica”, uma excepção prevista na moratória da CBI à caça comercial, em vigor desde 1986. Em 2008/2009, as embarcações japonesas mataram 1003 baleias, ou 52 por cento das 1929 caçadas em todo o mundo. O número para a época de caça de 2009/2010, é de 850 baleias-anãs e 50 baleias-comuns. A Austrália e a Nova Zelândia anunciaram em Janeiro uma expedição para demonstrar que é possível estudar baleias sem as matar.

Ecologista contra a caça à baleia colocado na lista da Interpol a pedido do Japão

A Interpol colocou o responsável pela organização Sea Shepherd numa lista internacional de homens procurados, a pedido do Japão, foi hoje revelado.

A Guarda Costeira japonesa afirma que a Interpol aceitou listar o canadiano Paul Watson por este, alegadamente, conspirar para danificar os navios baleeiros que fizeram parte da frota japonesa no início deste ano.

Outro activista desta organização – que todos os anos tenta dificultar a caça à baleia, perseguindo a frota japonesa -, Peter Bethune, está a ser julgado em Tóquio por invadir propriedade alheia, neste caso, um navio baleeiro japonês.