Roman Polanski detido na Suíça por abuso sexual de menor cometido há 30 anos

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Polanski

Em 1977 o cineasta franco-polaco Roman Polanski foi julgado por ter mantido relações sexuais não consentidas com uma rapariga de 13 anos. Ontem, trinta anos depois, foi preso na Suíça, e aguarda uma eventual extradição para os Estados Unidos.

Polanski, de 76 anos, foi detido no aeroporto, ao chegar à Suíça onde ia participar no Festival de Cinema de Zurique que lhe dedicava uma homenagem. Num comunicado, o Ministério da Justiça suíço disse que desde 2005 que as autoridades norte-americanas tentavam prender o realizador. Este encontra-se agora em "detenção provisória aguardando extradição" mas pode apelar da decisão, explicou um porta-voz do Ministério.

A prisão de Polanski gerou imediatamente um coro de protestos. A Polónia e a França (Polanski é de origem polaca mas naturalizou-se francês em 1976) anunciaram, através do chefe da diplomacia polaca, Radoslaw Sikorski, que vão pedir, em conjunto, a Washington, a libertação do realizador de filmes como "Chinatown" e "A Semente do Diabo".

Em Varsóvia, vários cineastas polacos, entre os quais Andrzej Varda, tinham apelado às autoridades do país para que interviessem, classificando a situação como "escandalosa" e um "excesso de zelo incompreensível". E em França, o ministro da Cultura e Comunicação francês, Frédéric Mitterrand, manifestara a sua "estupefacção" com a detenção.

"Não podemos julgar o contexto judicial da detenção de Roman Polanski. Mas estamos chocados com o que aconteceu", declararam por seu lado os directores do festival de Zuriquem, Nadja Schildknecht e Karl Spoerri, que, em sinal de "solidariedade" em relação a "um dos cineastas mais extraordinários da nossa época", decidiram manter a homenagem prevista.

O realizador de "O Pianista" vive em França desde 1978, ano em que deixou os Estados Unidos depois do julgamento em que se declarou culpado de "relações sexuais ilegais". Passou, na altura, um mês e meio na prisão no que devia ser um período de avaliação psicológica, mas acabou por fugir do país ao perceber que o juiz pretendia voltar a prendê-lo.

Samantha Geimer, a rapariga de quem Polanski abusou há 30 anos - durante uma sessão fotográfica em casa do actor Jack Nicholson, que se encontrava fora na altura - já disse em várias ocasiões que também ela preferia ver o caso encerrado e que já não guardava qualquer rancor em relação ao realizador.

Quando tinha 13 anos, Samantha queria fazer cinema e foi por isso que decidiu aceitar a proposta do realizador para participar numa sessão de fotografia. Depois, segundo contou na altura, Polanski fê-la beber champanhe e tomar comprimidos, após o que manteve relações sexuais com ela. Hoje casada e mãe de três filhos, Samantha considera que Polanski devia ser autorizado a voltar aos EUA e que todo o caso devia ser esquecido.

No início deste ano, recorda a CNN, os advogados de Polanski tentaram que as acusações contra ele fossem retiradas, mas um juiz de Los Angeles recusou, admitindo no entanto reconsiderar a sua posição se o realizador comparecesse perante o tribunal.